Brasília – A Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Cobap) realizou nesta quinta-feira (19), na Câmara dos Deputados, encontro nacional com caravanas de vários estados e decidiu mobilizar a categoria contra decisão do governo de reajustar em 3,30% os proventos de aposentados e pensionistas. A Cobap, que representa 22 federações e 1.300 associações da categoria, reivindica reajuste linear de 8,57% para as aposentadorias e pensões retroativo a 1º de abril, como ocorreu com o salário mínimo.

O presidente da entidade, Benedito Marcílio, criticou a indiferença do governo com a categoria, afirmando que há cinco meses vem pedindo audiências com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e com novo ministro da Previdência, Luiz Marinho (que mudou do Ministério do Trabalho para a Previdência no último dia 29 de março), e que esses pedidos foram reiterados por meio de ofício nesta quinta-feira. A Cobap exige que essa audiência com o presidente Lula seja acompanhada pelos ministros da Previdência, do Trabalho e da área econômica (Fazenda e Planejamento).

Segundo o presidente da Cobap o argumento do déficit na seguridade social, apresentado pelo governo para anunciar um reajuste mais baixo para aposentados e pensionistas, do que o índice que reajustou o salário mínimo, é falso. De acordo com levantamentos feitos pela entidade, existe um superávit de R$ 220 bilhões nos últimos cinco anos nas contas previdenciárias.

Depois da reunião de hoje na Câmara dos Deputados, onde caravanas de aposentados e pensionistas discutiram com deputados federais reivindicações da categoria, houve uma marcha dos participantes até o prédio do Ministério da Previdência, onde representantes da categoria organizaram protestos contra o governo.

Segundo o site da Copab e o assessor da entidade Gilmar Corrêa, durante o protesto o ministro Luiz Marinho, que saía do prédio em carro oficial, teria ordenado ao motorista que avançasse o automóvel contra os manifestantes, e que, nessa ação, o carro teria atingido três aposentados – Maricelma dos Santos, de 53 anos de idade; Lourival Santos da Silva, de 60 anos; e Cristiano Lima, de 76 anos – que receberam pequenos ferimentos.

O Ministério da Previdência nega a informação da Cobap, que considera um "factóide". O chefe da assessoria de Comunicação Social do Ministério, Laerte Méliga, disse que a entidade não apresentou nenhum boletim médico de atendimento a supostos "atropelados" nem fotos do suposto incidente, que comprovem o fato.

Ele disse ainda que o ministro Luiz Marinho tem dialogado, inclusive com representantes da Copab, como ocorreu sexta-feira passada. "Não há, da parte do Ministério, rompimento do diálogo, o que parece ocorrer da parte da Copab", comentou.