Um dia depois de o presidente do PT, José Genoíno, ser agredido com uma torta na cara, atirada por uma militante de esquerda que protestava contra a ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Davos, o Fórum Social Mundial reagiu e se solidarizou com o deputado petista.

Durante um debate sobre o diálogo Brasil/África, Flávio Jorge, coordenador nacional das entidades nacionais negras, pediu um desagravo a Genoíno. Conseguiu que a unanimidade dos presentes se manifestassem contrários ao protesto da moça, que não foi identificada. “Propus o desagravo em nome de todas as entidades que represento. Portanto, tenho legitimidade para fazê-lo”, disse Flávio. “Não concordo com esse tipo de protesto. Não ajuda a democracia. Agrediram uma das principais lideranças políticas deste País”, afirmou o militante negro.

O incidente já rendeu muitas fofocas. O próprio Jorge disse ter a suspeita de que a moça que atirou a torta em Genoíno seria norte-americana (ela é brasileira) e estaria a serviço do presidente George W. Bush.

A torta foi atirada em Genoíno durante entrevista coletiva, na tarde de domingo, num hotel de Porto Alegre. Uma militante do grupo intitulado “Confeiteiros sem fronteiras” atirou uma torta de morango com chantilly na cara do presidente do PT, quando ele elogiava o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Davos, na Suíça.

“Lula não representa a gente em Davos!”, gritou a moça, que se levantou da cadeira e afundou a torta no rosto do deputado. A mulher que escolheu Genoíno para o protesto aparentava ter por volta de 25 anos e estava acompanhada de dois homens. Um deles tinha uma filmadora e registrou tudo. Com o tumulto, todos fugiram em disparada, sem serem identificados. Genoíno não reagiu e pediu aos que tentavam segurar os manifestantes que os deixassem ir embora.

Os “Confeiteiros sem fronteiras” repudiaram o que qualificaram de confusão promovida pelo PT. Disseram que o seu movimento antiglobalização não poderia ser representado pelo PT. “Nós, confeiteiros, viemos a público dizer que a onda que levou à eleição do PT não é, de forma nenhuma, a mesma da ascensão do movimento contra a globalização capitalista”, afirmava o texto distribuído pelos manifestantes.