O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve reunir-se hoje, em Brasília, com os recém-eleitos presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-SP), além do ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP) – que ainda não confirmou presença -, para avaliar os problemas que sobraram depois das eleições de quinta-feira e fortalecer o apoio dos aliados ao governo

Com a oposição enfraquecida, o governo sabe que seu adversário mais incômodo dentro do Congresso talvez sejam os próprios partidos da sua base – os mesmos aliados que garantiram os votos para eleger Renan e Chinaglia. Alguns deles já começam a entregar suas faturas pelo apoio, como pedido de espaço dentro do governo e liberação de recursos federais. Além disso, partidos da base que preferiram apoiar a reeleição de Aldo Rebelo para a presidência da Câmara vêm sinalizando que a ferida pelo episódio foi mais profunda do que o Palácio do Planalto imagina e podem dar o troco não votando matérias importantes para o governo. "É como uma bomba relógio", compara um deputado desse grupo

"Quem conta a história é o vitorioso. A parte derrotada poderá dizer que está tudo bem, mas porque entende que não estará na hora de dar o troco. Podem dizer que está tudo bem, mas não estará mais tudo bem", avaliou o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), no dia da derrota de Aldo

Na prática, o governo passou a ficar refém de sua própria base, repetindo um processo que já marcara os dois mandatos do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que perdia muito mais tempo negociando as matérias de seu interesse com os partidos aliados do que precisando derrotar a enfraquecida oposição liderada pelo PT

No governo FHC, a oposição normalmente se manteve barulhenta, porém, com poucos resultados práticos, tendo algo em torno de 150 deputados na Câmara. E, agora, esse deve ser exatamente o tamanho que as bancadas de PSDB, PFL e PPS deverão ter para se contrapor ao governo Lula.