Os bons augúrios ao êxito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pretensa panacéia lançada pelo governo, foram unânimes nos nichos que realmente contam nos amplos domínios da economia do País, embora também houvesse – na mesma intensidade – judiciosas manifestações de apreensão quanto à proficiência da maioria das ações previstas para o quadriênio.

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Em primeiro lugar, analistas chamam a atenção para a fase de discussão do PAC no Congresso e, por conseguinte, pesam as dificuldades normais do processo legislativo que o governo terá de suplantar para a aprovação das medidas.

Segundo se sabe, o PAC é uma coleção de ações que requerem o escrutínio do Congresso, ao qual o governo deverá recorrer por meio de projetos de lei ou medidas provisórias, o que certamente vai demandar tempo e coesão da base no equacionamento das soluções.

Por sua vez, a oposição, no momento, altamente motivada pela perspectiva do justo protagonismo na disputa pela presidência da Câmara, estará com o arsenal azeitado para introduzir as modificações adequadas ao aperfeiçoamento do projeto, até porque o ministro Tarso Genro já reconheceu que nenhum item do PAC está vedado ao debate.

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Paralelamente, um setor fundamental para o crescimento da economia, o agronegócio, não contemplado no pacote na medida exata de sua contribuição para a obtenção de divisas que fortalecem o equilíbrio da balança comercial, será induzido a expor suas razões e reivindicar que as conquistas até aqui registradas não se percam por deficiência momentânea de foco.

Um autorizado porta-voz do setor, Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas e ex-ministro da Agricultura, reiterou que a agropecuária tem problemas de natureza macroeconômica que afetam seu poder de competição. O alto custo do dinheiro, tributação desmedida, infra-estrutura deficiente e inexistência de política de renda para o campo são as barreiras que devem ser afastadas em primeiro lugar. Outros setores apresentarão também suas queixas.

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Como se prevê, a tarefa do governo não será um mar de rosas.