Está em jogo um Brasil novo, cheio de esperanças, mudanças, progresso. E ordem. Mas o leitor atento e o eleitor precavido já perceberam que o pano de fundo dessa promessa foi tecido com as mesmas caras e falas que fizeram a cena do Brasil velho dos últimos decênios. De José Sarney a Delfim Neto, de Antônio Carlos Magalhães a Paulo Maluf, ou de Orestes Quércia a Jorge Bornhausen – para ficar nos principais – nada muda sob o céu brasileiro, exceto o lado que cada um tomou. Assim é também no cenário regional. Resta saber, portanto, que Brasil novo é este que se promete no palanque para embalar o sonho dos brasileiros.

A campanha eleitoral deste segundo turno pega para valer a partir desta semana, depois da ingente costura da semana passada, com a reorganização das forças vitoriosas e derrotadas no primeiro turno. Não foi muito agradável (mas acabou sendo muito interessante) ver os abraços e ouvir o estalido dos tapinhas nas costas trocados entre contendores aparentemente irreconciliáveis antes do primeiro turno. Atrás dos abraços existiram acordos, é natural. Mas ninguém disse ou explicou aos eleitores traídos exatamente o que foi acordado. Escaramuças de parte a parte, o que mais intriga é a dificuldade para a realização de debates. Mais que antes, eles são necessários para o esclarecimento e a decisão dos eleitores acerca de muitas coisas até aqui referidas mas não explicadas pelos candidatos.

Lula, de crista alta depois da avalanche de votos que recebeu, disse que só participará de debate se, e quando, lhe interessar. É uma decisão temerária. Ele deveria estar mais atento, desde já, aos interesses dos eleitores – o que conta de verdade antes e depois de uma eleição. Aqui no Paraná, Alvaro Dias já se esquivou do primeiro confronto marcado na televisão. Culpa da agenda, mandou dizer. Ninguém acredita.

Os eleitores brasileiros querem debate. Não que pretendam ver o circo pegar fogo, mas simplesmente porque desejam o esclarecimento, o aprofundamento das propostas de cada um. O novo da promessa não pode ser confundido com o desconhecido. Neste sentido, louve-se a disposição sempre manifestada pelo candidato tucano José Serra. “É preciso explicar as coisas, é preciso dizer a cada um a que veio”, disse o presidente Fernando Henrique Cardoso na semana que passou, também ele um “partidário ardoroso do diálogo”. Acima de tudo, “o País tem de sentir a direção para a qual vai”.

Se fosse apenas uma tática de campanha, como querem fazer ver os que fogem do debate, até seria admissível. Mas a impressão que fica é aquela do medo de se expor perante o eleitorado, trair-lhe a esperança, mostrar despreparo ou ter que explicar atos e fatos complicados, alianças contraditórias, promessas incompletas ou inexeqüíveis. Ou, como aconteceu com Lula no último debate antes do primeiro turno, trocar imposto que todos pagam por órgão que ninguém conhece. O eleitor, entretanto, merece essa consideração final em nome desse futuro rosa até aqui mencionado.

Aguardemos que a decisão seja sensata e que, não um, mas diversos debates sejam realizados. É o mínimo que os candidatos podem fazer para ajudar o eleitor a entender o que, de fato, está sendo prometido de novo, apesar da cara velha dos de sempre.