Apego doentio

A grande oportunidade que os senadores tiveram para livrar-se da presença incômoda de Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda se equilibrando na cadeira de presidente da instituição, infelizmente foi desperdiçada. Com os seis votos pela abstenção agregados aos 40 votos negando a cassação do mandato, o referido homem público deve ter-se imaginado na suprema condição de donatário duma capitania integrada por parlamentares dispostos a seguir estritamente as ordens ditadas por um malparido decalque de Sinhozinho Malta.

Os últimos desatinos cometidos sob o comando de Renan, assoalhados por sobejas evidências de que somente o apego doentio ao poder levaria alguém a ter comportamento tão condenável, ao que se percebe, levaram os senadores mais destacados da oposição a pedir a cabeça do impenitente. Os ânimos estão acirrados, a ponto de o senador Tasso Jereissati, presidente nacional do PSDB, num linguajar claramente induzido pelo incontido vendaval de ofensas aos princípios de respeito e convivência democrática entre participantes da Casa, assim se pronunciou: ?Vamos entrar com a quinta representação (contra Renan) imediatamente. Não dá mais, acabaram as condições. Isso aqui (o Senado) virou o centro da patifaria e da canalhice. A Casa se voltou contra o Renan, o que existe é só uma tropa de choque ao lado dele, que é pouca, barulhenta e malvista?.

A quinta representação por quebra de decoro se consubstancia na denúncia de espionagem contra os senadores Marconi Perillo (PSDB) e Demóstenes Torres (DEM), ambos representantes de Goiás. A proposta levada por um assessor de Renan, o ex-senador peemedebista Francisco Escórcio, a um empresário de Goiânia, sugeria a instalação de câmaras no hangar da companhia, com o objetivo de flagrar os parlamentares pegando carona em seus táxis-aéreos. Como de praxe, Renan negou e mais uma vez sustentou que a prática é alheia a seu proverbial fair-play.

Aliás, a batata do presidente do Senado já passou do ponto, pois mesmo a cúpula diretiva do PMDB deplorou a infâmia cometida contra os históricos Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcellos (PE), desligados sumariamente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em sórdida manobra do pequeno déspota das Alagoas. A bandeja e o cutelo estão prontos…

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