Analistas e investidores já estão resignados com a perspectiva de mais uma semana de volatilidade nos mercados e, talvez, mais quedas nos preços dos ativos financeiros. O clima de insegurança permanece elevado, com todas as atenções voltadas para a saúde da economia dos Estados Unidos. Tanto que o próximo payroll – relatório com os dados do mercado de trabalho norte-americano – que será divulgado apenas na próxima sexta-feira já é alvo de enorme expectativa, e cautela.
Michael Hood, economista do Barclays Capital, observou que um ponto crucial no relatório será o número dos pedidos de auxílio desemprego registrado em fevereiro. Esses pedidos vêm crescendo nas últimas semanas e poderiam sinalizar uma desaceleração mais acentuada no ritmo de atividade. "A volatilidade dos dados do payroll criam a possibilidade de outra surpresa desagradável para os mercados", disse Hood.
Em relação aos mercados emergentes, ele observou que embora a volatilidade nos preços dos ativos tenha subido, não houve até agora um ambiente de pânico. "Continuamos esperando que a turbulência tenha vida curta, mas os excessivos posicionamentos revelados pelos movimentos desta semana provavelmente vão frear qualquer recuperação, por enquanto.
Luz
Mas alguns analistas já começam a vislumbrar uma luz no fim do túnel, e apostam numa recuperação ativos financeiros quando a turbulência passar.
Trata-se, por exemplo, da aposta de Larry Hatheway, estrategista do banco suíço UBS. Ele havia avisado seus clientes no início desta semana – portanto antes da turbulência nos mercados – que declínios nos preços de ativos financeiros representariam uma oportunidade para se aumentar as posições overweight (acima da média do mercado) em bolsas de valores européias e asiáticas. "Mantemos essa visão", disse Hatheway. "Acreditamos que a atual turbulência tem mais a ver com posicionamento, gerenciamento de risco e realização de lucros do que com qualquer mudança significativa nos fundamentos.
Ele observou que embora os recentes indicadores da economia dos Estados Unidos tenham sido um pouco mais fracos do que o previsto, a situação financeira dos consumidores e empresas norte-americanas continua favorável. "O crescimento econômico dos Estados Unidos está mais macio, não fraco", afirmou. "Enquanto isso, na Europa, Japão e boa parte do universo emergente, a situação econômica permanece intacta." Segundo ele, os crescimentos dos lucros continuarão sendo sustentados e os preços das ações em níveis razoáveis. "Recomendamos portanto usar a atual fraqueza nos mercados como uma oportunidade para se aumentar ainda mais as posições de ações globais", afirmou.
Brasil
Essa expectativa de recuperação não se limita aos países ricos ou apenas aos mercados acionários. No geral, analistas prevêem que em algum momento os ativos dos emergentes, entre eles do Brasil, vão recuperar parte ou todo o terreno perdido nos últimos dias. Os economistas Ricardo Amorim e Roberto Padovani, do banco WestLB, acreditam que a atual correção nos mercados internacionais poderá desvalorizar o real um pouco mais no curto prazo. "Mas os fundamentos vão, em determinado momento, se reafirmar, empurrando novamente o real para seus recentes patamares de valorização", afirmaram em nota para clientes.Segundo os analistas, o atual movimento nos mercados internacionais representa mais "uma correção do que uma mudança de tendência", embora não tenha terminado ainda. "Após a correção, teremos a melhor oportunidade de compra de todo o ano" afirmaram.