Apesar da continuidade da forte volatilidade nos mercados internacionais, a maioria dos analistas acredita que os fundamentos da economia global são uma garantia de que ela será temporária. Mas é possível notar um tom de maior preocupação com os países emergentes.

O fator fundamental continua sendo a economia dos Estados Unidos. Jim O’Neill, analista do banco de investimentos Goldman Sachs, disse que os sinais do crescimento econômico mundial continuam positivos. Mas observa que até que fique claro o grau de desaquecimento no ritmo de atividade nos Estados Unidos, a tese de "descolamento" da economia global poderá ser testada pelos mercados, causando turbulências.

Os países emergentes são um foco especial de preocupação por serem vulneráveis a essa maior aversão ao risco. Michael Hood, estrategista do Barclays Capital, acredita que o movimento de venda de ativos emergentes deve se enfraquecer, mas descarta uma recuperação no curto prazo.

"Preocupações com o crescimento mundial, que consideramos injustificadas, ajudaram a criar a volatilidade desde a semana passada", disse Hood. Ele observou que a desmontagem de operações de carregamento financiadas pelo iene japonês representam o maior risco para os emergentes no curto prazo.

"Os investidores poderão começar a prestar mais atenção a casos de vulnerabilidade genuína entre os emergentes", disse Hood. "Embora exemplos possam ser encontrados em todas as regiões, os países do Leste europeu chamam mais a atenção por serem dependentes de financiamentos externos.

Lars Christensen, analista sênior do banco Danske, é ainda mais cauteloso em relação aos emergentes. "É difícil dizer por quanto tempo isso vai continuar, mas não achamos que terminará hoje", disse. "Por isso, continuamos recomendando a redução do risco em mercados emergentes." Segundo ele, a possibilidade do iene se fortalecer ainda mais poderá aumentar as desmontagens das operações de carregamento. "Por isso ainda não vemos uma oportunidade de compra dos ativos emergentes", disse o analista do banco dinamarquês.

Para o presidente mundial do HSBC, Stephen Green, é impossível prever a duração e a extensão do ajuste iniciado na semana passada nos mercados globais. Mas o executivo disse estar confiante que a volatilidade nos ativos financeiros não vai afetar o ritmo de crescimento da economia global, que segundo ele sofrerá apenas uma leve desaceleração em 2007.

"Ninguém é capaz de dizer quanto tempo vai durar e qual a profundidade desse movimento nos mercados", disse Green, após apresentar os resultados do HSBC de 2006, que registram crescimento de 4,6% nos lucros líquidos. "Mas acreditamos que a economia mundial continuará apresentando um comportamento estável e positivo em 2007." O HSBC é quarta maior instituição financeira privada do mundo em capitalização de mercado, com 312 mil funcionários em 82 países.

Segundo ele, períodos de forte volatilidade nos mercados acionários não sinalizam necessariamente que o ritmo de atividade econômica mundial será afetado. "Não acreditamos nessa correlação, a história comprova isso", disse. "Não é porque a Bolsa de Xangai despencou que a economia chinesa vai seguir na mesma direção.

O HSBC não crê numa recessão nos Estados Unidos. "Nossa previsão é que a economia americana vai desacelerar um pouco, mas ainda manterá um ritmo de expansão saudável.