Os atentados terroristas em Londres não alteraram a pesada agenda de amanhã (08) do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na capital britânica, concentrada em dois temas caros à política externa brasileira. Como representante do Brasil, Amorim participará de uma reunião reservada com os Estados Unidos, a União Européia e a Índia para discutir a Rodada Doha de liberalização do comércio mundial.
Tratará ainda da proposta de ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em um jantar com os chanceleres do Japão, da Índia e da Alemanha, os países que formam, com o Brasil, o Grupo dos Quatro (G-4).
O jantar se dará a apenas três dias da apresentação formal da proposta de reforma do Conselho pelo G-4, que deverá ser votada até o final do mês. O projeto prevê seis novas cadeiras permanentes – uma para cada membro do G-4 e outras duas para a África – e mais quatro assentos não-permanentes. A chance de o Brasil, a Alemanha, o Japão e a Índia conseguirem seus assentos permanentes depende necessariamente desse primeiro passo. A dificuldade do grupo está na conquista dos votos de dois terços dos membros da ONU – ou seja, de 128 países. Nos últimos quatro meses, o governo brasileiro designou mais de 20 embaixadores para a tarefa de convencer cerca de 100 países a convergirem para a proposta do G-4. A esperança está no apoio dos 53 países africanos.
A assessoria de imprensa do Itamaraty confirmou hoje que Amorim decidira manter seus compromissos em Londres justamente no momento em que o chanceler jantava com o comissário da União Européia para o Comércio, Peter Mandelsson, e com o representante dos Estados Unidos para o Comércio, Rob Portman. Amanhã, o grupo prosseguirá as discussões sobre as intrincadas negociações agrícolas da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) durante um café da manhã e duas sessões de trabalho. Segundo o secretário Gláucio Veloso, que acompanha o chanceler nessa viagem, não houve reforço no aparato de segurança reservado pelo governo britânico ao ministro Amorim.
O objetivo desses encontros será aproximar o máximo possível as posições sobre as metas para a redução de subsídios aos produtores agrícolas, a eliminação das subvenções às exportações e abertura de mercados para o setor antes da reunião entre cerca de 20 países da OMC, entre os próximos dias 11 e 13 em Dalian, na China. Essa reunião dará um claro sinal sobre a possibilidade de sucesso ou de fracasso da conferência ministerial da OMC em Hong Kong, em dezembro deste ano, quando a Rodada Doha entrará em sua etapa final ou será enterrada de vez. Amorim embarca amanhã para Dalian, na China.