A dias da apresentação do relatório preliminar da CPI dos Sanguessugas, o relator Amir Lando (PMDB-RO) ainda tenta salvar alguns parlamentares, apesar dos indícios de envolvimento com a máfia das ambulâncias. Com 1,3 mil páginas, o relatório de Lando será dividido em três partes e deverá pedir a cassação do mandato de 75 dos 90 parlamentares notificados pela CPI dos Sanguessugas. O relatório deverá ser votado pelos integrantes da CPI somente na semana que vem.
A correligionários, Lando confessou que não está convencido do envolvimento de, pelo menos, dois parlamentares – o senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado Pedro Henry (PP-MT) – no esquema de apresentação de emendas orçamentárias para compra de ambulâncias superfaturadas. "É uma questão de conceito. Vou ponderar que o senador Magno Malta recebeu um veículo, que usou por mais de um ano, de um grupo envolvido em corrupção", observou o presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ).
No relatório, Lando deverá pedir a cassação do mandato de 50 dos 90 parlamentares notificados pela Comissão. Outros 25 também terão o pedido de cassação de mandato, mas a CPI vai pedir novas diligências para apurar o envolvimento com a máfia das ambulâncias. Apenas 15 parlamentares deverão ser inocentados no relatório da CPI dos Sanguessugas. "O relatório vai trazer tudo sobre os 90 parlamentares: todos os depoimentos, documentos, referências e menções", explicou Biscaia.
Magno Malta é acusado de ter feito um acordo com a Planam, principal empresa da máfia das ambulâncias, pelo qual receberia 10% se destinasse uma emenda de R$ 1 milhão para a empresa. Como adiantamento, o senador teria ganho um Fiat Ducato. Malta não apresentou, no entanto, a emenda. O senador já admitiu que realmente usou o carro Fiat Ducato do deputado licenciado Lino Rossi (PP-MT), mas como empréstimo de um amigo e que o devolveu há um ano e um mês, em Cuiabá.
Ex-líder do PP na Câmara, Henry teria sido um dos 14 parlamentares que receberam propina, que foi usada para financiar sua campanha, de acordo com os depoimentos dos empresários acusados de participar do esquema de corrupção. Henry é teria recebido uma camionete zero quilômetro, da marca Chevrolet. Entre os anos de 2005 e 2006, o deputado teria vendido o veículo e restituído a Planam o valor correspondente.