Indicado para o Ministério da Previdência pelo gosto pessoal do senador alagoano Renan Calheiros (PMDB), atual presidente do Senado da República, o também senador Romero Jucá (PMDB-RR) acaba de entrar para o rol dos que contam com o privilégio da menção no mais importante jornal econômico do mundo, o Financial Times.
Todavia, a inclusão do nome do ministro na matéria assinada pelo jornalista Jonathan Wheatley, com ampla repercussão na imprensa brasileira, não se deveu a nenhuma decisão administrativa de impacto, como a eliminação das fraudes contra a Previdência, filas vergonhosas e do histórico déficit de caixa.
Romero Jucá foi citado por Wheatley como um exemplo de que a corrupção voltou a ser notícia no Brasil. A matéria lembra também a defesa do ministro acusado de obter, de maneira pouco convencional, empréstimos de bancos públicos: ?Isso não me perturba. Estou dormindo tranqüilo?.
Mesmo admitindo o direito de Jucá em proclamar-se inocente, o jornalista inglês não deixou de anotar que esse tipo de acusação a ricos e poderosos no Brasil não constitui motivo para a menor preocupação. E acrescentou: ?A corrupção é fato do cotidiano e as chances de ser punido por isso são próximas a zero?.
O único a não se preocupar com a dimensão do desgaste trazido pela nomeação de Romero Jucá e pelos respingos do escândalo mundo afora é o presidente Lula. Com o respeito exigido pelo protocolo, não é possível supor que – de sua parte – o presidente consiga dormir sem amargos pesadelos.


