Altas taxas de juros comprometem produção nacional, diz empresário

O presidente do Conselho de Administração da Sadia, Walter Fontana Filho, defende a redução das taxas de juros como um dos instrumentos fundamentais para o desenvolvimento do setor produtivo nacional. Fontana Filho classifica como preocupante o atual momento do agronegócio. ?O Brasil não pode ficar a mercê dessa volatilidade cambial porque o agronegócio depende de preços internacionais. Isto é bastante preocupante, não obstante, a taxa de juros que é muito alta para financiar a produção rural?, observou Fontana ao se encontrar com Requião nesta segunda-feira (12) em almoço na residência oficial do Governo.

Fontana Filho avalia que o agronegócio fez nos últimos anos um grande progresso no Brasil, ampliando suas fronteiras. ?Mas se não tivermos para o ano que vem, uma situação com menores taxas de juros, um câmbio um pouco mais estimulante, o agronegócio dará alguns passos atrás. Hoje, dar passos atrás significa perder posições?.

Para o empresário, a Argentina tem, no atual momento, mais condições do que o Brasil para competir nos mercados internacionais. ?A Argentina tem crescido mais do que Brasil na produção do agronegócio e se o Brasil não tomar cuidado, vamos perder posições para eles. Na área de soja, por exemplo, a Argentina tem crescido historicamente mais do que o Brasil?, observou.

Requião concordou com o empresário e relatou os resultados das missões comerciais do Paraná, usando como exemplo, a última na Venezuela. ?O (Hugo) Chávez está precisando de qualquer tipo de produto e está com muita vontade de incentivar o comércio com o Brasil e, em especial, com o Paraná. Em dois dias fizemos 32 convênios governamentais e mais US$ 340 milhões em negócios com os 67 empresários paranaenses?, apontou Requião.

Fontana disse que a Sadia é uma grande exportadora para Venezuela e que pretende ampliar os negócios da empresa no vizinho país. Requião adiantou que a empresa poderá usar da linha marítima que ligará os portos paranaenses (Paranaguá e Antonina) aos portos da Venezuela. ?Vamos comprar uréia da Venezuela e em contrapartida podemos exportar soja não transgênica e outros produtos produzidos no Paraná?, completou o governador.

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