Nas próximas semanas os países do Mercosul e da Comunidade Andina (CAN) devem concluir a negociação da lista de produtos sensíveis e que requerem atenção especial no Acordo de Livre Comércio entre os dois blocos. Os países do Mercosul e da CAN vão estabelecer também as exceções, regras de origem e acertar detalhes que ficaram faltando depois da última reunião realizada em Montevidéu, no Uruguai, em dezembro passado.

Nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, encontrou-se em Brasília com o secretário-geral da Comunidade Andina, embaixador Allan Wagner, para acertarem aspectos técnicos do acordo. Segundo Amorim, a aliança estratégica que motivou a negociação entre o Mercosul e a CAN foi a associação do Peru com o Mercosul, facilitada pela permanência do embaixador Allan Wagner à frente do ministério das Relações Exteriores do Peru até o final do ano passado. Como secretário-geral da Comunidade Andina, Allan Wagner tem trabalhado para a criação de uma Comunidade Sul-Americana de Nações.

Esta é a primeira vez que o embaixador Allan Wagner viaja a um país não membro da CAN após assumir a secretária do bloco. ?O embaixador Allan Wagner trouxe idéias novas para discutir a integração física dos blocos. Essa integração não será limitada ao comércio mas se expandirá a outros campos?, afirmou Celso Amorim.

A Carta de Navegação, documento-base do processo de integração entre Mercosul e CAN, incluirá além da área de livre comércio, aspectos relacionados a acordos tributários, normas técnicas e sanitárias e acesso a mercados. Os países do Mercosul e CAN pretendem ainda avançar na área de infra-estrutura, comércio e serviços, livre circulação de capitais e de pessoas. Os membros do Mercosul são Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Chile e Bolívia são países associados. A CAN é formada por Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela. Para a Carta de Navegação entrar em vigor, ela deve ser assinada pelos presidentes das nações participantes do acordo.