O referendo para o ingresso da Venezuela no Mercado Comum do Sul (Mercosul), a ser concedido pelo Congresso Nacional, na hipótese improvável de dependência do voto pessoal do senador José Sarney (PMDB-AP), não se concretizará.

Sarney, numa alegórica repetição do gesto da revolucionária espanhola Dolores Ibarruri – La Passionaria – fez um discurso no plenário do Senado para reafirmar sua pregação contrária à entrada do país governado pelo coronel Hugo Chávez no bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

?Não passarão?, bradava Ibarruri diante da tentativa de desembarque em território espanhol das forças reacionárias procedentes do Marrocos, sob o comando implacável de Franco.

Em resposta direta às críticas recebidas de um parlamentar chavista, o ex-presidente relembrou o pacto celebrado com Raul Alfonsín, então presidente da Argentina, de somente permitir o ingresso no Mercosul de países vivendo em regime de democracia plena. Na interpretação de Sarney, o governo Chávez fere a cláusula de defesa democrática do próprio tratado que originou o Mercosul. ?Na hora em que acaba a alternância do poder, acaba o coração da democracia?, afirmou.

Sarney vê também como ameaça ao Brasil e aos demais países da América do Sul a alardeada transformação da Venezuela em potência militar mediante o investimento de R$ 4 bilhões em armamentos de última geração, caças, submarinos e foguetes.

A história, que se repete como farsa, diz-nos que o generalíssimo não só invadiu a Espanha, mas aniquilou a revolução…