Alerta vermelho no setor da produção de carne suína, montado especialmente na região Sul do País para atender a demanda do mercado internacional e da Rússia, em particular.

O nível de exportações despencou cerca de 40% em relação ao mês de fevereiro do ano passado.

A impressão é que a Rússia parece determinada a quebrar o setor de carne suína no Brasil, embora esta seja uma posição ditada muito mais pelo desespero dos produtores que pelo raciocínio isento de paixões.

Os compradores da carne bovina e suína produzida no Brasil fecharam as portas desde o anúncio dos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná. A diminuição também exponencial das importações de carne de frango se deveu ao alastramento das preocupações com a gripe aviária.

Produtores de carne suína na região Sul, em especial no Rio Grande do Sul, preparados para atender a demanda russa, estão hoje com cerca de 60 mil toneladas de carne estocada em carretas e contêineres, porquanto os frigoríficos não têm mais capacidade de armazenamento.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína, Pedro Camargo Neto, lembra que o embargo russo não tem consistência técnica por não estar apoiado em regras estipuladas pela Organização Mundial de Saúde Animal e Organização Mundial do Comércio e, tampouco, obedece o protocolo sanitário celebrado entre ambos os países.

Em 2005, o Brasil exportou 4,9 milhões de toneladas de carne de porco, das quais um quinto para a Rússia. Da receita total (US$ 7,8 bilhões), US$ 1,6 bilhão representaram a importância do mercado russo para a produção nacional, agora ameaçada pelo caos.