O presidente em exercício, José Alencar, garantiu hoje rigor nas investigações do assassinato de três auditores fiscais e de um motorista da Delegacia Regional do Trabalho de Minas Gerais, em Unaí, noroeste de Minas Gerais. ?Tudo será feito para que as investigações se façam de forma rigorosa, sem nenhuma transigência, até que possamos identificar os responsáveis por esse crime violento?, garantiu.

O presidente em exercício ressaltou que o poder público não pode se intimidar diante de um crime como esse. “O trabalho dos auditores fiscais do Trabalho, assim como o dos demais funcionários públicos, tem que continuar a ser realizado, ainda que seja preciso proteção militar para que eles possam realizar o trabalho. O que nós não podemos permitir é que cresçam as atividades fora da lei no país, porque fora da lei não há salvação”, disse.

Em companhia do ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, do secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, e do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, o presidente em exercício participou hoje do velório das vítimas, na sede do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), em Belo Horizonte.

José Alencar contou que relatou o fato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de ontem. Alencar disse que Lula, que está em Genebra, na Suíça, ficou consternado com a notícia e pediu que o presidente em exercício levasse sua solidariedade às famílias. Segundo Alencar, Lula garantiu que o governo federal fará tudo para elucidar o crime e para amparar as famílias das vítimas.

Os auditores assassinados estavam na região de Unaí, a 604 quilômetros de Belo Horizonte, desde segunda-feira. Eles fiscalizavam as condições de trabalho dos agricultores contratados para a colheita da safra de feijão. Os quatro servidores foram assassinados ontem, por volta das oito horas da manhã, quando o carro em que estavam foi parado em uma emboscada.

O presidente em exercício lembrou que os fiscais realizavam uma operação de rotina e que não havia risco aparente. Segundo ele, quando as fiscalizações envolvem denúncia de trabalho escravo, os fiscais são acompanhados por policiais federais. ?O noroeste de Minas Gerais não é uma região violenta. Não havia qualquer suspeita de que ali poderia haver risco de vida. Se houvesse, o próprio Ministério do Trabalho teria providenciado a segurança?, afirmou.

Alencar disse, ainda, que este foi o primeiro caso de assassinato de fiscais do trabalho em todo o país.

Os corpos dos fiscais Erastótenes de Almeida e João Batista Soares foram enterrados no Cemitério da Colina, em Belo Horizonte. O corpo do fiscal Nelson José da Silva foi enterrado em Rio Preto, interior de Minas Gerais, e o do motorista Ailton Pereira de Oliveira, em Prudente de Morais, também no interior do estado.