A promotoria de Frankfurt divulgou nesta sexta-feira que duas equipes podem ter jogadores envolvidos no novo esquema de manipulação de resultados que agita o futebol alemão a três meses do início da Copa do Mundo. Um dos jogadores cujo nome não foi revelado, teria recebido milhares de euros para fraudar seu jogo, como confirmou o porta-voz da Promotoria, Thomas Becher.

Além de quatro apostadores que já estão presos, cujos nomes também não foram revelados, o Siegen e o Eschborn, ambos da segunda divisão do Campeonato Alemão, teriam jogadores envolvidos no esquema, declarou o porta-voz da Promotoria.

Os investigadores foram informados pelo próprio Eschborn que alguns dos seus zagueiros tentaram facilitar um jogo em casa contra o Augsburg, em 25 de novembro do ano passado. Segundo a rádio FFH, dois envolvidos no esquema ofereceram 40 mil euros para um zagueiro do Eischborn facilitar as coisas e deixar o Augsburg vencer. Ainda segundo a rádio, eles teriam acertado altas apostas no exterior.

Defesa

Em outra investigação, os promotores de Frankfurt descobriram que o goleiro do Siegen, o bósnio Adnan Masic, encontrou-se com dois envolvidos no esquema, que já estão presos. Masic já afirmou à direção do seu clube e à rádio NRW, da cidade de Oberhausen, que não tem nada a ver com este escândalo e que tem "a consciência tranqüila".

O goleiro bósnio rejeita qualquer acusação de que tenha "propositalmente" tomado dois gols contra o Hansa Rostock, há duas semanas, na derrota do Siegen por 2 a 0 pela segunda divisão da Bundesliga. Masic também afirmou à rádio NRW que tem conhecidos entre os envolvidos no esquema, mas rejeita qualquer arranjo.

"Eu tenho alguns amigos que apostam, mas não sei o que eles fazem. Não tenho nada a ver com isso. Posso falar com todo mundo, inclusive com jornalistas, mas não sei o que tenho a ver com este escândalo", alegou Masic. Sobre a acusação na partida contra o Hansa, o goleiro a considera absurda. "Todos sabem que eu fui o melhor jogador naquela partida. Não pude fazer nada nos dois gols. Não tenho nada a ver com o escândalo de apostas, isso é uma grande loucura."

Rigor

Preocupado com as conseqüências de mais um escândalo para o futebol alemão – depois do caso do ex-árbitro Robert Hoyzer, que confessou manipulação de jogos no ano passado -, o presidente da Federação Alemã (DFB), Theo Zwanziger, pediu aos promotores que investigam o caso um esclarecimento total.

"Não dá para comparar a situação atual com a dimensão que o caso Hoyzer teve, mas nós, da DFB, levamos muito a sério esta situação. Todos devem ser exemplarmente punidos", declarou o presidente da entidade.

Após 14 meses do aparecimento do caso Hoyzer, Zwanziger não teme que isso prejudique a imagem do Mundial, que começa no dia 9 de junho. "Se nós tivermos um esclarecimento total, os preparativos para a Copa näo sofrerão prejuízos maiores. Em todo o lugar onde há pessoas e o dinheiro está em jogo, pode haver corrupção", afirmou o dirigente.