A alteração na mistura de álcool anidro na composição final da gasolina não reduziu o preço do álcool nem contribuiu para baixar a inflação. Na divulgação do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), que acelerou 0,17%, o preço do álcool retomou a curva de crescimento após quatro semanas de contínua desaceleração, passando de uma alta de 3,64% para 4,84% na semana encerrada em 7 de março.

O economista André Braz, responsável pelo cálculo do índice, na FGV, acredita que a antecipação da safra de cana-de-açúcar na Região Centro-Sul deve anular o efeito de alta para as próximas semanas. Há, porém, o risco de que o álcool proveniente desta antecipação não ser suficiente para atender o mercado, e, por isso, uma nova alta ser registrada na semana que vem.

O álcool contribuiu com 0,3 ponto porcentual do segmento de Transportes, que compõe o IPC-S. Apesar da alta do álcool, este segmento teve na semana uma desaceleração, passando de 0,98% para 0,91%. O economista acredita que a desaceleração é reflexo de uma diminuição do impacto dos reajustes de tarifas de ônibus urbano no indicador.

A inflação IPC-S subiu 0,17%, ante 0,01% na apuração anterior. O resultado anunciado ficou acima do teto das estimativas dos analistas do mercado financeiro, que esperavam um resultado entre -0,08% e 0,15% (mediana de 0,06%). Para Braz, o mês de março deverá ser de maior equilíbrio no indicador, após os dois primeiros meses do ano, que geralmente tendem a apresentar índices ora muito altos, ora muito baixos, destoando da média mensal por efeitos sazonais.

Braz destacou também o fato de a semana encerrada em 7 de março a registrar a primeira aceleração no indicador após queda consecutiva em 7 semanas. O pico do indicador foi registrado na segunda semana de janeiro (0,76%) e chegou a até 0,01% na última semana de fevereiro.