O candidato à presidência da República pela coligação PSDB-PFL, Geraldo Alckmin, usou um ensinamento que diz ter aprendido com seu pai para explicar sua estratégia mais propositiva na campanha eleitoral. "Os eventuais erros de seus adversários não aumentam em nada suas qualidades". Em sabatina no auditório do jornal O Estado de S. Paulo, o ex-governador disse ter ouvido esse conselho paterno após um comício em Pindamonhangaba, durante a disputa pela prefeitura local, quando encerrou um comício batendo forte nos adversários.

Alckmin reconheceu que ouve nas ruas conselhos de simpatizantes: "Bata doutor, bata". Mas ele disse preferir mostrar que é possível ganhar demonstrando que pode fazer um governo melhor, mas eficiente e ético. Ele admitiu, no entanto, que campanha terá o "contraditório", indicando que críticas ao governo serão feitas.

Alckmin fez essas afirmações ao responder perguntas sobre a falta de emoção e mesmo de engajamento de lideranças do PSDB em sua campanha."Eleição depende do candidato. Por mais que companheiros façam esforço, se não conseguir empatia, (o candidato) não chega lá", disse Alckmin. Mas ele negou o distanciamento da legenda. "O PSDB está engajado na campanha. Fizemos a mais ampla coligação".

Segundo o ex-governador, as pessoas ficam impressionadas com pesquisas, o que é ótimo. "Mas tem que comparar as circunstâncias", destacou, ao listar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputou seis eleições presidenciais (incluindo os dois turnos em 2002, contra o também tucano José Serra). "É um recall enorme. Eu não sou conhecido ainda, mas a campanha começou ontem (com o início do horário eleitoral gratuito. Zerou tudo".

Alckmin lembrou que o ex-governador Mario Covas iniciou uma campanha com menos de 18% das intenções, contra Paulo Maluf, que nunca teve menos de 40% antes da campanha no rádio e TV ter se iniciado. Na ocasião, Covas foi ao segundo turno e venceu Maluf.