O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, informou nesta terça-feira (21) que a agência, em conjunto com as companhias aéreas, já está promovendo um ajuste de horários dos vôos nos aeroportos com o objetivo de reduzir a concentração em determinados períodos. Segundo ele, até agora já foram ajustados 91 horários de uma malha aérea que contém 1.340 vôos diários, em média.

"Parece pouco, mas isso mostra que esses ajustes podem ser feitos", afirmou Zuanazzi. Ele explicou, em audiência pública realizada hoje no Senado, que essa mudança de grade horária não é tão simples quanto parece, porque as companhias aéreas devem atender também à demanda das pessoas. "A maior parte dos executivos quer voar no início da manhã e no final da tarde. E as empresas têm liberdade, tanto de fixação de horários, quanto de tarifas e precisam equilibrar os seus negócios dentro dessa realidade". Ele ressaltou, no entanto, que as empresas não estão se recusando a conversar.

Zuanazzi atribuiu os transtornos nos aeroportos ao modelo de sistema integrado da aviação comercial. Segundo ele, as aeronaves, hoje, são utilizadas na sua capacidade máxima, fazendo conexões em várias cidades. E, por isso, o atraso em um ponto do País acaba se refletindo em vários outros lugares como um "efeito dominó". Ele citou como exemplo o fato de as tempestades no sul e sudeste do País, no domingo, terem provocado o fechamento do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por três horas, o que causou atrasos de até seis horas a pessoas que iam sair do Nordeste. Ele negou que a Anac autorize novos vôos sem ouvir o Departamento de Proteção ao Vôo da Aeronáutica.