Além dos problemas intrínsecos da máquina pública, viciada e essencialmente burocrática, a pouco mais de um mês da data marcada para o leilão da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no curso do Rio Madeira, em Rondônia, o governo vai enfrentar o recrudescimento da pressão contrária oriunda das entidades ambientalistas.
O movimento que possui amplas ramificações internacionais e tem suas razões devidamente avaliadas em altos círculos políticos e financeiros, será um reforço considerável para a ação das congêneres brasileiras.
Sintonizado com a realidade e sabendo qual é o alvo mais indicado para direcionar suas baterias, o movimento ambientalista pretende atuar junto a bancos brasileiros e estrangeiros – em se tratando de um projeto bilionário – para dar intensa visibilidade aos impactos ambientais ainda não dimensionados por inteiro nos estudos preliminares. O principal argumento dos ambientalistas reside em focalizar o risco futuro dos investidores assistirem a seu dinheiro fluindo, literalmente, pelo vertedouro da portentosa obra.
Segundo divulgou a BBC Brasil, uma campanha organizada pelos Amigos da Terra, Ecoa (Ecologia e Ação), Both ENDS, Instituto Madeira Vivo, International Rivers Network, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira e Instituto de Estudos Socioeconômicos, apresentada em linguagem destinada a ser facilmente entendida pelo mercado, será desencadeada para desestimular potenciais investidores interessados na construção das usinas.
O presidente Lula fez um admirável esforço para despertar a atenção dos 50 maiores investidores espanhóis, num encontro convocado pelo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero. No outro lado da gangorra, ambientalistas prometem reagir à altura, alardeando não somente os riscos de danos irreversíveis ao meio ambiente, mas dando ênfase à maior preocupação do mercado, o arsenal de dúvidas quanto ao retorno seguro dos investimentos.
Vale até uma referência ao questionamento levantado pelo governo boliviano de levar o assunto a uma corte internacional, tendo em vista os impactos sobre seu território. De outro lado e não menos rigorosa, será a ação pretendida pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), resultando em novos atrasos na execução dos projetos.
O consórcio Odebrecht/Furnas, um dos que disputam o projeto, reiterou que todos os impactos foram estudados e, se não fosse assim, jamais haveria o interesse demonstrado por investidores de grande porte nas citadas obras. A conferir.