Moscou (Rússia) – O coordenador da Missão Centenário (nome dado pelo Brasil em homenagem a Santos Dumont, que se tornou pioneiro da aviação com seu 14 Bis, há 100 anos), Raimundo Mussi, da Agência Espacial Brasileira (AEB), afirmou que o vôo de Marcos César Pontes fortalece a possibilidade de o Brasil realizar novos projetos a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, a sigla em inglês).

A afirmação foi feita durante entrevista coletiva hoje (por volta das 3h30 em Brasília), no Centro de Controle de Vôo, na cidade de Korolev, a cerca de 50 quilômetros de Moscou. Junto com Mussi, participaram da entrevista, entre outros, Nicolai Sevastianov, presidente da empresa russa Energia, responsavel pelos vôos do país à ISS, e Nicolai Musseiev, vice-presidente da Agência Espacial russa (Roscosmos).

Mussi falou na abertura da entrevista, antes de os jornalistas começarem a perguntar, e não especificou quais seriam esses projetos. Mas alguns deles podem estar ligados ao Programa de Microgravidade, da AEB, de acordo com o engenheiro de sistemas Flávio Azevedo Correia Júnior, do Comando Técnico Aeroespacial (CTA), de São José dos Campos (SP).

Correia Júnior foi um dos coordenadores das experiências que Pontes começou a realizar hoje no espaço, todas integrantes do Programa de Microgravidade da AEB. Ele disse que neste ano ainda serão abertas inscrições para a realização de experiências no futuro e que algumas delas poderão ser feitas na ISS.

Além disso, afirmou Correia Júnior, o programa vai explorar uma série de outros meios de trabalhar com microgravidade, o que significa realizar experiências em situações de quase ausência de peso. Para se ter uma idéia, na ISS os astronautas têm peso dez mil vezes menor do que na terra.

Também se pode ter gravidade reduzida quando se solta um objeto de um balão flutuando alto na atmosfera: durante a queda, o peso do objeto se torna até cem vezes menor. Essa é uma das alternativas que o Programa de Microgravidade pode utilizar, segundo o engenheiro, para realizar experiências. Basta colocá-las em um balão e, lá em cima, deixar a experiência cair.

Outros meios em estudo incluem torres de queda livre, satélites, foguetes de sondagem (que ficam em órbita menos de 15 minutos) e vôos parabólicos (em que um avião plaina descendo muito rapidamente, quase como se estivesse caindo).