O advogado criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) Jorge Mattoso, disse hoje que o cliente não teve nenhuma participação no vazamento de dados bancários do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o "Nildo". "Não se pode dizer que a entrega dos extratos ao ministro da Fazenda (Antonio Palocci) represente quebra de sigilo", acentuou. "Ele (Mattoso) mantém o que declarou à Polícia Federal. Apenas entregou (os documentos), não teve nenhuma responsabilidade pelo vazamento."

Para Toron, estão expostas "muito claramente" duas posições diferentes em torno do caso que levou à queda de Palocci. Uma versão, a que Mattoso apresentou à PF, é que ele entregou a Palocci um envelope com os dados da conta do caseiro. "Mattoso deixou o envelope com o ministro", observa o advogado. "Daí para a frente, o que aconteceu ele (o ex-presidente da Caixa) ignora. O Mattoso não provocou o vazamento, eu reafirmo."

A outra versão é a do ex-ministro. "Palocci, por seu lado, dizia, inicialmente, que não recebeu os extratos", destaca Toron. "Agora está dizendo que recebeu os extratos e os destruiu num triturador. Eu acredito no meu cliente." Para o criminalista "são duas versões que se antepõem". Ele ressalta que o ministro da Fazenda "integra o sistema financeiro, representa o sistema, está no cume do sistema".

Toron sustenta que o ex-presidente da Caixa não violou o sigilo bancário do caseiro. "Ele (Mattoso) era o presidente da instituição, para ter acesso à conta não precisava de ordem ou autorização judicial. O presidente da Caixa é uma autoridade do sistema financeiro. Mattoso apenas levou os extratos ao ministro Não me parece que aí esteja representada uma quebra."

O criminalista disse que "ninguém pediu" a Mattoso que abrisse a conta de "Nildo". "Ele já respondeu isso à PF. Ninguém pediu, ele é quem tomou a iniciativa. Resolveu entregar os extratos (ao ex-ministro) logo que teve o resultado. Foi à casa (de Palocci) e entregou."

Palocci declarou à PF que no dia 16 de março encontrou-se com Mattoso numa reunião no Palácio do Planalto, da qual participaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Após a reunião, Mattoso teria dito que precisava conversar com ele "porque ficaram assuntos pendentes". Palocci respondeu que teria uma outra reunião e que mais tarde telefonaria a Mattoso. Às 23 horas, o então presidente da Caixa foi à casa de Palocci. "Mattoso chegou com um envelope na mão", disse Palocci à PF. "Não me recordo se (o envelope) era pardo ou branco." Segundo o ex-ministro, a conversa com Mattoso durou "menos de 10 minutos". Falaram sobre instalação de escritórios da Caixa no Japão e nos EUA. "Ele (Mattoso) me pediu apoio e depois me exibiu 3 ou 4 folhas dos extratos da Caixa, ele (Mattoso) disse que eram do caseiro Francenildo."