O núcleo econômico do governo, formado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, continua apostando suas fichas no crescimento de até 4,5% do Produto Interno Bruto (soma das riquezas produzidas no País), até o final do ano. No entanto, o otimismo é contestado por economistas de organizações privadas e analistas independentes, que não ousam ultrapassar o percentual de 3,6% em 2006, e estimar para o ano que vem o pálido crescimento de 3,7%.

A posição cautelosa encontra forte elemento comprobatório na previsão da última edição do boletim Focus, produzido e distribuído pelo Banco Central, demonstrando que a previsão anterior de crescimento da produção industrial caiu de 4,26% para 4,11%.

Uma das razões que tornam indiscutível a depreciação do crescimento do PIB está baseada em outra estimativa, infelizmente também em queda livre. O boletim Focus refez as contas e concluiu que a meta de US$ 15,4 bilhões de investimentos estrangeiros diretos (IED) no setor produtivo nacional não será maior que US$ 15 bilhões.

A lamentação mais profunda, contudo, é a relação da dívida líquida do setor público versus PIB, em torno de 50,5% este ano e de 49,25% em 2007. Isto é, a metade do que o Brasil produz num ano está comprometida com o pagamento da dívida. Sofrer é preciso.