O técnico judiciário Hélio Ortiz, apontado como chefe da quadrilha que fraudava
concursos públicos, se apresentou no final da tarde dessa terça-feira (24) na
Polícia Civil do Distrito Federal. Ortiz, de 51 anos, estava foragido desde
domingo (22) quando a polícia pediu sua prisão preventiva.

De acordo com
o diretor geral da Polícia Civil do DF, Laerte Bessa, a prisão de Ortiz foi
negociada pelo advogado do servidor do Tribunal de Justiça do DF. Ele estava
hospedado com nome falso em um hotel em Taguatinga, cidade satélite de Brasília.
"Com certeza, ele era o chefe da quadrilha. Ele era o fraudador número um do
esquema. Ele confessou tudo e está disposto a ajudar mesmo porque não tem como
negar. É um fato", disse Bessa.

No depoimento à Divisão Especial de
Combate ao Crime Organizado, Hélio Ortiz confessou ser o principal responsável
pela quadrilha que conseguia os gabaritos de provas para venda aos candidatos.
Em cada concurso público a quadrilha negociava com até cem interessados nas
respostas que pagavam valores que chegavam até R$ 30 mil. Desse valor, R$ 2 mil
eram repassados diretamente para uma pessoa que trabalhava no Centro de Seleção
e de Promoção de Eventos (Cespe), instituição ligada à Universidade de Brasília
e responsável pela elaboração das provas.

O nome desse funcionário,
possivelmente uma mulher, ainda não foi revelado pela polícia. Segundo Bessa, o
reitor da UnB, Lauro Mohry, se propôs a instaurar uma sindicância de imediato
para apurar as denúncias.

Hélio Ortiz foi indiciado por formação de
quadrilha, estelionato, corrupção ativa. E depois que prestou depoimento na
delegacia foi para o Instituto Médico Legal (IML) e, por fim para a carceragem
do Departamento de Polícia Especializada (DPE). A esposa e filha de Ortiz,
suspeitas de participarem da quadrilha, também já estão detidas.

Outro
acusado de participar do esquema como recrutador dos candidatos, Valdir Luiz de
Oliveira, também foi preso na terça-feira. Depois de prestar depoimento, ele foi
imediatamente encaminhado para o DPE.

A Operação Galileu da Polícia
Civil identificou os cinco concursos feitos pelo Cespe nos quais ocorreram as
fraudes. São eles: Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Fiscal Tributário do
Mato Grosso, Tribunal de Justiça do Pará, Tribunal Regional Eleitoral do
Tocantins e Agente Penitenciário Federal.