O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, afirma que a eficácia das ações de fiscalização do governo federal fez o trabalho escravo perder força no Brasil. "Agora, está aumentando o número de operações, mas diminuindo o número de pessoas liberadas. Isso quer dizer que o número de grandes empreendimentos que aplicavam essa forma de exploração bárbara de pessoas está diminuindo e que agora são pequenos empreendimentos, que empregam poucas pessoas".

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Lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março de 2003, o Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo tem como meta acabar com a exploração da mão-de-obra no país até o final de 2006. "Acho perfeitamente possível cumprir essa meta. Acho até que nós já vencemos a etapa mais importante", avalia Nilmário Miranda, referindo-se aos resultados obtidos durante os dois primeiros anos de governo Lula. "Em 2003 e 2004, liberamos mais de cinco mil pessoas".

Ele enfatiza que o "golpe definitivo" no trabalho escravo seria a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permite a expropriação de terras onde for constatada a exploração de mão-de-obra escrava. A proposta já foi aprovada no Senado e aguarda votação em segundo turno na Câmara dos Deputados. Nilmário Miranda pretende se reunir com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), para pedir prioridade na tramitação da PEC. "Estou pedindo uma audiência com o deputado Severino, junto com pessoas da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo para discutir isso e ver se a gente estimula a colocar a PEC em pauta".

Outro passo importante, de acordo com Nilmário, será dado no próximo dia 19, com a formalização de um pacto entre empresas que se comprometerão a não comprar produtos do trabalho escravo. "São empresas que, muitas vezes, sem saber, consumem produtos da cadeia produtiva do trabalho escravo", diz. "Vamos alertar essas empresas e fazer um pacto para que parem de consumir produtos oriundos do trabalho escravo", explica.

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Na opinião do ministro, os principais avanços no combate ao trabalho escravo podem ser verificados na área de repressão, como o trabalho dos grupos móveis de fiscalização do Ministério do Trabalho. Outro exemplo, diz Miranda, é a atuação da Polícia Rodoviária Federal nas estradas para impedir o transporte de trabalhadores escravos. Mas ele destaca que, até o final do governo, a prioridade será dada à prevenção e a ações de reinserção social nos municípios fornecedores de mão-de-obra escrava, de maneira evitar que as pessoas se tornem alvos dos aliciadores. "Vamos continuar o que já está sendo feito no âmbito da repressão e da responsabilização, mas a ênfase maior agora realmente é a prevenção".

Para isso, o governo federal conta com a parceria dos estados, afirma Nilmário Miranda. "Estamos buscando junto com os estados fazer um trabalho visando outras ações mais efetivas para impedir o trabalho escravo. Reconheço que esse é o ponto em que é preciso avançar mais", diz o ministro, ao destacar que esse trabalho é mais complexo. "Muitos estados e municípios não querem admitir que existe trabalho escravo, ou admitem de tal maneira que não leva a conseqüências práticas. Mas nós estamos vencendo as dificuldades para poder ampliar o trabalho de prevenção."

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Segundo o ministro, no âmbito federal, há avanços importantes na área de prevenção. Um exemplo é prioridade para municípios considerados locais de recrutamento de trabalhadores escravos em programas como o Bolsa Família e o Brasil Alfabetizado. "A reforma agrária também avançou nesses lugares".