O sub-relator da CPI dos Correios Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) aprofundou hoje (12) o conflito com os fundos de pensão, investigados pela suspeita de terem feito deliberadamente operações no mercado financeiro que resultaram em perdas milionárias. ACM Neto disse que os fundos serão tratados "como investigados" e que a CPI só lhes repassará informações que não atrapalhem as investigações.
"Para mim, os fundos e Marcos Valério dão no mesmo. Enxergo qualquer investigado da CPI da mesma forma. Os fundos não devem se sentir protegidos pelo volume de investimentos que movimentam. Pressão comigo não tem vez", disse, ao iniciar uma reunião com os técnicos que analisam as operações financeiras de 14 fundos.
Uma das linhas de investigação da CPI é descobrir se parte das perdas dos fundos, que ao todo somaram R$ 729,1 milhões, somente em aplicações no mercado futuro (derivativos), foi direcionada ao esquema montado pelo empresário Marcos Valério para repassar recursos a partidos políticos.
Os fundos contestam o relatório que ACM Neto apresentou na semana passada. Alguns prometeram entrar na Justiça contra o deputado e reclamam uma oportunidade de apresentar explicações. "Os fundos terão todo direito de defesa. A CPI vai dar as informações que puder dar, mas não dará as informações que comprometerem as investigações", disse o sub-relator.
Ligações indiretas
ACM Neto disse que, embora ainda não tenha encontrado o elo direto entre Valério e as perdas dos fundos de pensão, uma empresa ligada ao empresário está entre os investidores que tiveram grandes lucros no mesmo momento em que os fundos perdiam. O deputado não revelou o nome da empresa. Outras duas corretoras ligadas ao esquema de Valério estão no relatório dos fundos de pensão. A Bônus Banval, que repassou dinheiro para o PP, está na lista de corretoras que fizeram operações para os fundos que resultaram em perdas. Um dos sócios da Guaranhuns, que repassou dinheiro ao PL, José Carlos Batista, lucrou R$ 7 milhões no período em que os fundos tiveram perdas.
"Sabemos que José Carlos Batista serviu de laranja para acobertar outras operações no mercado financeiro e agora ele vai voltar à CPI sem poder mentir como mentiu antes", disse ACM Neto. No primeiro depoimento, Batista disse não ter ligação com o valerioduto.


