Brasília – Em 2004, o principal motivo de óbitos no país foram as doenças do aparelho vascular como enfarte e acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. O dado é apresentado no livro Saúde Brasil 2006 ? Uma Análise da Desigualdade em Saúde. O livro está página do Ministério da Saúde na internet e tem publicação prevista para este semestre.

O Sistema de Informações sobre Mortalidade do ministério registrou 1.024.073 óbitos em 2004, com diferenças relevantes na mortalidade segundo a faixa etária, o sexo e as regiões do país.

O maior risco de morte apontado pelo sistema está na região Sudeste, com uma média de 5,9 óbitos para cada mil habitantes. Em seguida vêm as regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Das mortes que ocorreram em 2004, 47,6% foram no Sudeste.

Quando se compara a mortalidade entre os sexos, os homens lideram, com 58% dos óbitos. Eles também morrem mais jovens que as mulheres. Aproximadamente 52% dos óbitos entre as mulheres ocorreram na faixa etária de 70 anos ou mais, enquanto para os homens o percentual nessa faixa foi de 35,8%.

O câncer, segundo o livro, é a segunda causa de morte para as mulheres de todas as regiões do país e para os homens que moram na região Sul, depois das doenças do coração. Já para os homens das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste, a posição é ocupada pelas causas externas.

A publicação também aponta que em países em desenvolvimento, como o Brasil, há maior incidência de doenças cardiovasculares. Segundo o diretor do Departamento de Análise de Situação da Saúde do ministério, Otaliba Libânio, essas doenças crônicas devem ser desmistificadas como típicas de países ricos.

?Hoje, o maior número de mortes provocadas por essas doenças é encontrado nos países em desenvolvimento, nos países de baixa ou média renda. Grande parte dos derrames e dos infartos ocorre na população de classe baixa, causada por má alimentação, sedentarismo e tabagismo?, diz.

O livro também trata da população preta, parda e branca ? usa a definição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo a qual negros são as pessoas de cor preta e parda. A população preta apresentou maior risco de morte por doenças infecciosas, parasitárias e, nas mulheres, por parto e no período após o parto.

Otaliba Libânio explicou as diversas causas de mortalidade são mais freqüentes na população de baixa escolaridade, que mora em um município com baixa renda familiar. ?Essas desigualdades do ponto de vista regional, do ponto de vista socioeconômico, do ponto de vista da etnia são muito importantes no Brasil e têm que ser mostradas, para o governo promover ações a fim de promover uma eqüidade?, disse.