O presidente reeleito está de volta ao trabalho depois de uma semana de férias no litoral baiano, e tem pela frente o período de dois meses para encaminhar os acertos e costuras, a grosso modo já delineados desde as eleições, visando compor o futuro ministério e indicar dirigentes habilitados e confiáveis para os cobiçados cargos da máquina administrativa federal.

Agora, o presidente deverá retomar em ritmo mais intenso as conversações com auxiliares diretos do governo e interlocutores do quadro partidário e do mundo empresarial, a fim de escalar um time de colaboradores que, em primeiro lugar, demonstre o amadurecimento da visão de Estado que o país reclama, satisfaça com louvor a expectativa da sociedade e, em última análise, pegue o boi pelos chifres, para usar uma imagem plenamente adaptada ao gigantesco trabalho que está por fazer.

Ressalte-se o fato que o presidente assumiu compromissos políticos, quando ainda em campanha, e esses dados decerto terão peso dominante nas conversas dos próximos dias. O próprio Lula anunciou a intenção de chamar todos os partidos representados no Congresso Nacional para um grande entendimento em torno do projeto Brasil, e é exatamente a partir desse ponto que devemos colocar as barbas de molho, para dizer o mínimo.

Esta preocupação é necessária, porquanto em ocasiões recentes, como ocorreu na formação do primeiro governo Lula, os compromissos do presidente eleito eram de tal natureza que o ministério e a base de sustentação do governo no Congresso assumiram a feição de autêntica colcha de retalhos, extremamente larga no começo e cada vez menor à medida que o tempo ia passando, até provocar furibunda briga de foice entre antigos e novos freqüentadores do leito governamental.

O presidente tem, portanto, a tarefa intransferível de envidar todo o esforço para evitar a repetição dos fatos censuráveis anotados no primeiro mandato, quando, inclusive, o Partido dos Trabalhadores, dono de um legado de ética e respeito aos ideais republicanos, de resto, atirado à vala comum do grotesco passivo da política brasileira, cobriu-se dos andrajos com os quais a maioria dos partidos procurou esconder o vergonhoso fracasso.