A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) inaugurou hoje seu escritório em Pequim, na China, com o principal objetivo de buscar parcerias para incrementar o comércio entre os dois países. "O fluxo comercial entre os dois países é muito pequeno", disse o presidente da Abimaq, Newton de Mello.

Segundo a entidade, as indústrias brasileiras de máquinas e equipamentos exportaram para a China no ano passado cerca de US$ 225 milhões, o que corresponde a menos de 0,5% do total que o país importou de todo o mundo (US$ 53 bilhões). Na ponta brasileira, as importações provenientes da China foram de US$ 270 milhões em 2005, de um total de US$ 36 bilhões de maquinário que o país asiático vendeu ao mundo todo. "Não estamos aproveitando as enormes oportunidades que o mercado chinês oferece", completou Mello.

Um estudo encomendado pela Abimaq para a economista Patrícia Marrone mostra que as oportunidades para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos estão principalmente nos setores de máquinas agrícolas, frente à necessidade chinesa de mecanizar cada vez mais sua produção de alimentos; mineração e siderurgia (a China consome parte considerável da produção mundial de aço); saneamento; e máquinas para couro (os chineses estão entre os maiores fabricantes mundiais de calçados).

O documento aponta também que, apesar dos números ainda baixos, a penetração das exportações chinesas para o Brasil, nesse setor cresceu a uma média de 85% ao ano em 2004 e 2005, ameaçando os segmentos de máquinas para plástico e para têxteis, principalmente.

A direção da Abimaq afirmou que não tem calculada a projeção para crescimento imediato das exportações para a China. Mas trabalha com o desafio inicial de estancar a queda nas vendas externas para o gigante asiático. Entre as parcerias que a Abimaq quer buscar com o escritório na China está a compra de componentes e insumos intensivos de mão-de-obra que compense os custos de transporte e a reestruturação na cadeia de fornecedores.

Também se considera a fabricação de produtos finais na Ásia para comercialização no Brasil e exportação; desenvolvimento de pesquisas na China, onde o salário de um cientista chega a ser 1/10 dos salários dos cientistas nos países desenvolvidos; e aperfeiçoamento de competências para o fornecimento do mercado chinês.

O escritório de Pequim também vai oferecer aos associados da Abimaq apoio para conhecimento do mercado local, orientação para fechamento de negócios e prospecção de oportunidades de negócios.