A educação, inserida em uma sociedade globalizada e centrada no conhecimento, é um dos fatores importantes para o desenvolvimento social, bem como condição primordial para melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Em meio às modificações legais ocorridas no curso de pedagogia está a escola, que recebe novas incumbências a cada mudança. A escola e seus gestores, através das novas demandas que surgem, têm percebido cada vez mais a necessidade de repensar sua prática, de forma a garantir formação competente aos alunos, para que sejam realmente capazes de enfrentar, com criticidade e coerência, os problemas complexos da sociedade; esta percepção tem levado os gestores a um confronto quase diário, diante da necessidade do desenvolvimento de novos conhecimentos, habilidades e atitudes primordiais para realizar seu trabalho.

Assim, é indispensável o envolvimento de equipe pedagógica, professores, alunos, pais, comunidade externa, pois são os responsáveis pela construção do ambiente cultural da escola, de acordo com sua forma de agir e pensar; é a partir desta visão que será criada a identidade da escola na comunidade, seu real papel, de acordo com as necessidades da comunidade. O gestor desse processo é também gestor dessa dinâmica social, atua como articulador das diversidades sociais e culturais, dando unidade e consistência ao ambiente educacional, sempre consciente de que todos os esforços devem estar voltados para uma formação cada vez melhor aos alunos.

Esta prática do gestor tem como sustentação a compreensão de que os problemas relacionados com a educação são problemas da coletividade, da sociedade e não apenas do governo. Então, as soluções para os problemas devem ser buscadas do grupo, sempre levando em conta ?a reflexão coletiva sobre a realidade e a necessidade de negociação e o convencimento local para sua efetivação, o que só pode ser praticado, mediante o espaço da autonomia?. (LUCK, 1998, p. 21).

Para que exista realmente uma prática de autonomia escolar, alguns mecanismos são primordiais: gestão compartilhada, eleição de diretores e ação em torno de um projeto político pedagógico. Porém, a mera existência destes mecanismos não é garantia de menor ou maior autonomia da escola. Para tal, é necessário o reconhecimento e esforço de todos, para que os sujeitos envolvidos assumam suas responsabilidades em uma proposta desenvolvida em conjunto e com uma direção estabelecida, coerente e clara.

Com isso, delimita-se o quanto é complexa a função do gestor e, por conseguinte, a complexidade exigida na sua formação, no entendimento e conhecimento de inúmeros aspectos de todas as questões equacionadas pela escola: pedagógicas, administrativas, de pessoas, de grupos, de direcionamento, entre outras.

A formação do gestor não pode ser vista como um processo finalizado, mas sim como formação continuada, envolvendo cursos de pós-graduação, extensão, atualizações, seminários, trocas de experiências entre pequenos grupos, para que este profissional tenha condições de exercer sua função. Percebe-se, entre os profissionais da área de educação, a deficiência do atual sistema de formação dos educadores/gestores em nível superior, principalmente ao considerar-se a separação entre o curso de pedagogia e as licenciaturas e mudanças ocorridas neste curso.

Ao se levar em conta as inúmeras mudanças ocorridas na sociedade, ainda segundo FERREIRA (2003B, p. 26), está surgindo um ?novo cidadão do mundo?, que exige, primordialmente, formação sólida, ?continuada e de qualidade?. Ao se pensar especificamente no escolar, percebe-se que esta formação necessita ser ampla, exigindo também, como afirma FERREIRA (2000a p. 111), ?uma sólida formação humana e que esta relaciona-se diretamente com sua emancipação como indivíduo social, sujeito histórico em nossa sociedade?. Para este ?novo cidadão do mundo?, a formação é de suma importância, seja ela formação inicial ou continuada. Ainda segundo FERREIRA (2003b, p. 30):

?A importância da formação continuada, fundamentalmente assumida pela universidade, locus e instituição responsável pela formação profissional e cultural do indivíduo e da coletividade, compreendendo as condições de transformação da população em povo, como uma coletividade de cidadãos, como seres sociais em condições de inserirem nas mais diversos formas da sociabilidade que o mundo globalizado dispões e impõe?.

A formação dos gestores, segundo ESTEVÃO (2002, p. 96), deve levar em consideração o educador e não apenas o gestor de processos. Para o autor:

?A sua autoridade será legitimada não tanto pela sua habilidade em manusear técnicas de gestão, mas pelo perfil de pessoa educada e educador, capaz de reconhecer e dar poder a outros autores, dentro do pressuposto de que o objetivo de uma política democrática não é erradicar o poder mas multiplicar os espaços em que as relações de poder estarão abertas à contestação democrática?.

Uma formação nestes moldes pressupõe um gestor consciente da possibilidade de desenvolvimento e aprimoramento contínuo de suas capacidades, seja por meios de experiência vivida na Escola ou por meio da educação continuada. O que, sem dúvida, poderá se refletir em maiores e mais significativas chances de se implementar, nas escolas, o verdadeiro processo de gestão.

Josemary Morastoni – Coordenadora do Centro de pós-graduação OPET.