Há 80 anos, quando João Pamphilo D’Assumpção liderou os advogados paranaenses para criar a Seção Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil, eram apenas 118 os profissionais em atuação no estado, além de nove acadêmicos de Direito. Entre todos havia apenas uma mulher, Walkiria Naked. 
Era um mundo predominantemente masculino o que a primeira advogada paranaense soube enfrentar. E em um mundo masculino ainda viveríamos muitos anos, tanto que, entre os que completam 50 anos de advocacia neste 2012, também temos apenas uma mulher, a advogada Maria José Correa de Bittencourt, aplaudida de pé pelo grande público que compareceu à homenagem que a OAB-PR lhes prestou, no último dia 15 de fevereiro, no auditório Poty Lazzaroto do Museu Oscar Niemeyer.
O caminho percorrido pela mulher advogada ao longo desse tempo há de ser destacado. Muitas foram as lutas pelo reconhecimento do talento feminino e pela igualdade de direitos. O ato de ocupar um espaço onde a competição é a marca exige a superação cotidiana de preconceitos, só possível de extinguir com o passar do tempo. 
Exigem-se sacrifícios pessoais da mulher, cujas atividades não se exaurem ao final de um dia de trabalho, mas prosseguem no lar, destacando-se os papéis de mãe e esposa. Além da formidável capacidade de gerenciamento de toda a administração da casa e da educação dos filhos, ela é mulher. E, como mulher, irá procurar tempo para si. Para manter-se em forma,  elegante. Para amar e ser amada. E já no dia seguinte, reiniciar a  sua atividade com incrível energia, para quem tem tantas tarefas e responsabilidades. 
No caso das advogadas,  hoje, mais do que nunca delas se cobra paciência com os clientes,  diante da demora dos processos e da ampla gama de informações que eles dispõem por meio da internet, a ponto de alguns quase pretenderem o título de ;doutor;. Mas a advogada sofre de impaciência quando convive com  precárias instalações forenses e insuficiente número  de juízes, traduzindo o descompasso do Judiciário com a nossa época, o que  está exigindo grande esforço em busca do tempo perdido
Aí talvez elas invoquem José Saramago, para quem é a impaciência que motiva as transformações deste mundo. Sem dúvida, foi com essa impaciência, aliada à outra de suas virtudes exclusivas – o gene da perseverança – que souberam expressar seu inconformismo e a luta que empreendem para transformar o nosso mundo em um espaço melhor e mais justo.
Hoje a OAB-PR conta com  42% de advogadas. Em muitos dos compromissos coletivos para novos advogados, ela já são maioria. As mulheres estão na Diretoria, no Conselho, nas Comissões, nas Subseções. É uma demonstração inequívoca da importância da participação feminina no campo jurídico. Em nossos tribunais, marcam presença cada vez mais forte, desde o primeiro grau até o Supremo Tribunal Federal. 
Já se perde a conta daquelas que ocupam os postos mais altos do mundo político e empresarial. Estão aí os exemplos, entre outros, de Indira Gandhi, Margaret Thatcher, Hillary Clinton e Dilma Rouseff para mostrar o valor da mulher. Como se vê, nosso próprio país é exemplo dessa transformação admirável.
Temos, enfim, todas as razões, para homenageá-las. Ao vibrar com a sua capacidade, exaltamos a união da inteligência com o charme. Do trabalho com sensibilidade à simpatia. Do sucesso com o encanto, que tanto admiramos.
São receitas para uma vida feliz. Palavra de um feliz advogado, casado há 35 anos com uma advogada feliz!
Felicidade que se estende, no dia de hoje não só a todas as advogadas, mas a todas as mulheres que a cada dia nos emocionam com seus exemplos de vida.

José Lúcio Glomb é presidente da OAB Paraná.