Os mais solertes diriam que o ex-diretor da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) Maurício Marinho, com a carta distribuída à imprensa, escarnece da sociedade que lhe pagou os salários durante os 28 anos de serviços prestados à instituição, até ser flagrado no infame ato de embolsar uma propina de três mil reais. Sinal do rentabilíssimo negócio entabulado com empresários, dos quais sequer os nomes consegue recordar.

Marinho é bom de carta, afinal é um especialista no assunto, pois pouco antes havia remetido uma ao deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, a quem creditou a indicação para a diretoria de negócios e contratações com fornecedores da ECT.

Em sua desabrida exegese, cargo-chave para o encaminhamento de polpudas transações em favor da caixinha do PTB, ato que Jefferson esforçou-se para negar com um melífluo discurso na tribuna da Câmara. Nenhum dos jornalistas políticos, e são tantos, conseguiu perceber qualquer traço de convencimento na peça oratória do confesso ex-troglodita.

Da mesma forma, o mea culpa protagonizado por Marinho soa com uma falsidade digna de vestal arrependida. Alto funcionário da estatal de maior prestígio junto ao público, diz ter sido ludibriado em sua boa-fé. Era o que faltava. A ECT ter dado um cargo de responsabilidade negocial e estratégica a um jejuno que se deixou engambelar como um menino de roça.

A que ponto chegamos nós, cidadãos pacatos, pacíficos e trabalhadores, embasbacados ante a mixórdia moral da administração pública e seu bafo de podridão.