Os trabalhadores gráficos de Curitiba fundaram, organizaram e desenvolveram a mais antiga entidade associativa de face sindical ainda com vida no Paraná. Desde o final do século XIX e, principalmente, no início do século XX até o ano 30, mantinham formas próprias de união, beneficência e apoio mútuo que os caracterizaram como uma das categorias profissionais de maior destaque.

Das formas associativas embrionárias surgiu o Centro Gráphyco Paranaense fundado em 30 de abril de 1911. No início do sindicalismo da era de Getúlio Vargas, os gráficos fundam o Sindicato dos Operários e Empregados Gráphicos de Curitiba, com a carta sindical datada de 20 de agosto de 1931, assinada por Lindolfo Collor, então Ministro de Estado dos Negócios do Trabalho, Indústria e Comércio. Em 1937, o sindicato altera seu estatuto social, recebendo nova carta sindical com data de 05 de fevereiro e, em 1942, já nos moldes corporativistas de categoria profissional e base territorial, muda sua denominação para Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Curitiba, como está expresso na carta de 21 de outubro daquele ano. Para, nos anos seguintes, incorporar o conjunto da categoria, estendida a base para todo o território estadual, denominando-se Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas do Estado do Paraná, mantida até hoje. De seu corpo principal nasceram outras entidades similares de trabalhadores gráficos em Londrina, Maringá, Cascavel e o sindicato dos gráficos em jornais e revistas de Curitiba.

Tem o Sindicato bela sede, fruto da luta e persistência de seus dirigentes, assessores, funcionários e associados. O sindicato foi comandado por antigos dirigentes com experiência e conhecimento das lutas travadas pela afirmação profissional e social, como os ex-presidentes João Mendes, José Bissoni, Fernando Carneiro Barbosa, Gilberto Cruz Rautt,  juntamente com jovens sindicalistas da fase nova da tecnologia moderna, não menos dedicados. O sindicato, além de manter sua tradição combativa pelas reivindicações e direitos básicos individuais e coletivos, desenvolve  atividades assistenciais de apoio familiar, sem se esquecer dos momentos de lazer, mantendo área de esportes e recreação na região operária de Curitiba e sedes e pousadas na praia de Matinhos.

            O atual presidente Leonel Souza Ramos afirma que “a ação sindical é fundamental para mantermos as conquistas básicas da categoria ao longo desses anos de luta. Temos como tarefa diária a intervenção do sindicato para garantir que nossos direitos sejam cumpridos dentro das gráficas. Eis que ainda existem empresas que tentam roubar dos trabalhadores direitos tão duramente conquistados”. Acentua que “o sindicato organizou e esteve à frente de diversas mobilizações e greves que resultaram em benefícios diretos para a categoria dos gráficos”.

Os gráficos comemoram os cem anos de sua entidade neste dia 30 de abril e primeiro de maio com solenidades, festas e confraternizações, vivenciando  suas lutas memoráveis e reafirmando seu compromisso social e cultural. Oportunidade ímpar para cotejar-se as transformações profundas que se verificaram na profissão, mas, ao mesmo tempo, para confirmar-se a permanência da linha marcante de valores e princípios dos dirigentes sindicais, trabalhadores e de sua entidade representativa.

Relembremos o estandarte, à época inaugural comum aos trabalhadores desfilarem com seus estandartes em datas festivas ou manifestações reivindicatórias, sendo o dos gráficos representado com os  símbolos básicos da  pena e do  componedor. Relembremos também as velhas linotipos, máquinas para composições de caracteres a chumbo, instrumentos de trabalho de valorosos profissionais que se empenharam em seus duros afazeres nas oficinas gráficas e nas empresas jornalísticas. Vale recordar e, neste centenário, conhecer um pouco da  história viva do trabalhador em nosso Estado.

Edésio Passos foi advogado do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas do Paraná (1961/1990). Ex-deputado federal (PT/PR), atualmente Diretor Administrativo da Itaipu Binacional.