O telefone 181 Narcodenúncia já está recebendo denúncias de maus tratos a crianças e adolescentes. Da mesma forma que acontece com as denúncias de tráfico de drogas, o denunciante tem sua identidade preservada e ajuda a polícia a evitar que casos de violência infantil se repitam em qualquer lugar do Paraná. Na comparação do número de ligações recebidas no mês de abril com o mês de maio, houve acréscimo de quase quatro vezes no número de chamadas. Em abril tinham sido 20 ligações e no mês passado somaram 75 ocorrências denunciadas. A última ligação aconteceu na manhã desta quinta-feira (1). Uma menina de 10 anos foi violentamente agredida porque não queria ir para a escola.

Pelo telefone, a responsável por um centro de educação infantil no bairro Cachoeira, na divisa de Curitiba com Almirante Tamandaré, relatou que uma criança de 10 anos, que estuda no local, apresentava marcas de violência em todo o corpo. A menina tinha o rosto machucado e as costas estavam crivadas de marcas de uma surra de cinto. O soldado da Polícia Militar Cleverson José Siba contou que a menina estava muito machucada. ?Ela tinha lesões que pareciam ter sido provocadas por socos no olho e marcas de agressão na cabeça. As costas também tinham marcas de violência?, disse indignado. Aparentemente não havia marcas de violência sexual.

Assim que chegou ao local, a equipe da Polícia Militar tomou as providências para minimizar o sofrimento da garota. O Conselho Tutelar foi chamado e passou a acompanhar o caso. A menina foi então levada a uma unidade de saúde para atendimento médico emergencial. Em seguida, o caso foi registrado no Nucria – Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes. A delegada Ana Claúdia Machado contou que foi feita a solicitação de exames de lesões corporais junto ao Instituto Médico Legal (IML) para que fosse comprovada a extensão das agressões sofridas pela menina. ?O agressor vai responder pelo crime de tortura?, finalizou a delegada.

Na seqüência, os policiais militares do 12º Batalhão deram continuidade ao trabalho, indo até a casa da família. Na casa, no Jardim Santa Terezinha, no bairro Abranches encontraram o padrasto da garota, que confirmou que agrediu a menina porque ela não queria ir para o colégio. Celso José da Silva, de 46 anos está desempregado e fica em casa cuidando da garota e do filho dele com a mãe dela, um menino de apenas três meses. Ele foi detido. Os policiais descobriram ainda que quando Celso sai para recolher material reciclável pelas ruas, leva o bebê dentro de uma caixa. A criança também foi entregue a conselheiros tutelares. A mãe da menina, que trabalha como empregada doméstica foi encontrada no serviço. Ela disse que sabe das agressões, mas que não tinha tomado providências porque também é ameaçada pelo companheiro.