Margarita Wasserman

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E lá se foi a minha bolsa com todos os meus documentos. Verdade que era noite, mas eu estava bem perto de onde moro, que é o centro da cidade. Aquele moleque veio correndo feito um vento ruim, e arrancou a bolsa da minha mão. Fiquei inerte, sem ação.

Só me restou buscar refazer toda a documentação. Uma canseira. Hoje estou triste, e então, me bateu saudade daquela cidade pequena. De quando nos mudamos para a nova casa, lá na Rua da Paz. O calçamento da rua era bem recente, e minha filha Noemi, então com cinco ou seis anos, parada na calçada, olhando para a rua deserta, onde automóveis quase não passavam. Marli chorando, estranhando a casa nova.

Meses depois, novas casas e uma vizinhança com crianças veio trazer movimento e alvoroço naquela rua. Na Rua Ubaldino do Amaral, funcionava a Fábrica de Fitas Venske, que, com o tempo fechou as portas, e ali foi instalada a fornecedora de marmitas Ruwa, e em poucos anos também deixou de funcionar…

A família Murray havia presenteado a cidade com alguns terrenos naquela região. Por razões que agora não vêm ao caso, um dos terrenos que se localizava bem defronte à fábrica foi aproveitado para instalar a Casa do Expedicionário. Tempos depois, soubemos que podíamos nos associar à Casa do Expedicionário, com direito até a carteirinha, para assistir às seções de cinema. As seções eram bastante concorridas, a vizinhança comparecia com as crianças.

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O monumento ao Expedicionário foi colocado só muito mais tarde, no topo da casa! Era tudo muito novo, excitante. Nós, as donas das casas, muitas vezes nos muníamos com vassouras e facas velhas para arrancar o matinho e varrer bem varridas as calçadas. Ali, as crianças brincavam e brigavam…

Não havia grandes preocupações quanto à segurança, verdade que às vezes aparecia algum descuidista, mas não era coisa para nos alarmar.

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Os meninos daquela rua, Marcos, Roberto, Cléverson, Léo, Dídimo, àquela época, já adolescentes, perceberam um dia, que a Prefeitura havia colocado uma nova placa no muro da esquina com o nome de Rua Alfredo Venske. Por duas vezes colocadas e duas vezes as placas foram arrancadas e atiradas no meio da rua. E a rua até hoje é da Paz…

Os primeiros moradores da Rua da Paz já não residem ali.

Os anos passaram num zupt!

Margarita Wasserman – Escritora e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.