Caixas de som de computador, fones de ouvido e smartphones endiabrados: a multiplicação de players na era digital colocou em xeque o conceito da “Alta Fidelidade”. O que era grife nos anos 60, estampada nas capas dos bolachões, gerou um paradoxo para os dias de hoje: de que adianta se apropriar das moderníssimas técnicas e aparelhos de gravação se a reprodução do áudio é tão desleixada? Movido por este desconforto, o cantor Wilson Simoninha resgatou o termo na hora de batizar o seu novo álbum, o quinto de uma carreira de mais de 20 anos. “O título é uma ironia, uma brincadeira ou até uma provocação em cima dessa coisa”, explica. “Com a imagem somos super-rigorosos, compramos TV de LCD e coisa e tal, mas com o áudio não é a mesma coisa.”

Simoninha sabe que é impossível controlar como seu disco será ouvido, mas fez questão de registrá-lo com um rigor técnico impressionante. Nem os atuais recursos digitais, que permitem fazer um álbum inteiro em casa, seduzem o compositor. “É muito diferente você poder fazer no estúdio e com as máquinas do estúdio”, diz.

O seu mais novo “high fidelity” ficou dividido na ponte aérea. No Rio, a ideia foi desfrutar das habilidades do produtor Alex Moreira, conhecido pelo trabalho com o Bossacucanova. De lá nasceram faixas como a ensolarada “Meninas do Leblon”. Já em São Paulo, o antigo parceiro de banda Bruno Bona foi quem assumiu outro lote das canções. “80% do disco nasceu durante o processo de feitura, por isso as músicas carregam o clima de cada uma das cidades. Usei isso no cenário do show também: o Rio durante o dia e São Paulo durante a noite.”

Desde que começou a arquitetá-lo, no ano passado, Simoninha tinha uma certeza: queria o irmão, Max de Castro, afastado do processo. O motivo da “separação” não fora litigioso ou coisa parecida, apenas para dar uma arejada na intensa relação dos últimos quatro anos, por conta do envolvimento com o “Baile do Simonal” – que rendeu CD, DVD e extensa turnê. O show em homenagem ao pai (Wilson Simonal) não tem data para acabar. Já contam com requisições para o baile até 2014.

Leve e suingado, “Alta Fidelidade” traz parcerias com nomes como João Sabiá (“Meninas do Leblon”), Mu Chebabi (“Nós Dois”), Edu Krieger (“Morena Rara”), Bernardo Vilhena (“Pois É”, “Poeira”), João Marcello Bôscoli e Marcelo Lima (“Quando”) e Carlos Rennó (“Paixão – Meu Time”). Esta última, aliás, o cantor – que é palmeirense convicto – faz questão de frisar que não é sobre o seu clube de coração. “É para todas as camisas e bandeiras”, destaca. “Se você disser que é sobre o Palmeiras, o meu parceiro (Rennó), que é corintiano roxo, me mata”, brinca. Simoninha preparou outra pérola futebolística para este disco, mas que não deu tempo de entrar no produto físico. “Minha versão de Filho Maravilha (Jorge Ben Jor) será lançada no iTunes. Quem comprar o CD, poderá baixá-la”, garante ele. A primeira amostra ao vivo do novo álbum será nesta sexta e sábado, no Auditório Ibirapuera. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

WILSON SIMONINHA

Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, sem nº). Tel. (011) 3629-1075. 6ª e sáb., às 21 h. R$ 20.