Vida do sociólogo Betinho vai virar filme em 2006

d26.jpgA vida do sociólogo Betinho, como era conhecido Herbert José de Souza, um dos principais líderes do País nos anos 80 e 90 e criador das campanhas contra a fome e a aids, vai virar filme. Não um documentário, como seria óbvio, mas um longa-metragem de ficção dirigido por Alberto Graça (Dia da Caça).

Rio (AE) – Ele volta à função depois de seis anos se dedicando a formar público com o projeto Cinema em Movimento, que exibe filmes em universidades e comunidades carentes em quase 600 cidades brasileiras. A vida do irmão do Henfil, como Betinho ficou conhecido no samba de João Bosco e Aldir Blanc, será contada em três níveis, ficção, documentário e um espetáculo de teatro dentro da trama.

?Apesar de haver muita imagem em movimento e entrevistas de Betinho, preferi dramatizar sua história porque viso ao público jovem, que pouco o conhece e precisa pensar em suas propostas de cidadania e ética política, temas sempre atuais no Brasil?, adianta Graça, que agora finaliza o roteiro e escolhe o elenco para filmar nos próximos meses e lançar Betinho – Sonhar É Preciso, em 2006, ano de eleições presidenciais e para o Congresso Nacional.

?A vida de Betinho tem passagens dramáticas. Ele nasceu doente, viveu sempre com problemas de saúde, foi rejeitado por antigos companheiros de militância, mas nunca foi amargo, pelo contrário, sua mensagem é de otimismo e alegria.?

A família de Betinho convidou Graça e sua produtora, Luciana Boal, para fazer o filme há três anos, pois queria lançá-lo em novembro deste ano, quando se completam 70 anos de seu nascimento. Ele só captou 40% do orçamento de R$ 3,5 milhões com a BR Distribuidora e optou por deixar o projeto amadurecer. ?Eu pensei que seria fácil conseguir dinheiro para falar do Betinho, mas os departamentos de marketing alegam que ele não é um pop star como Cazuza ou um mito, como Pelé. Mas sua popularidade se mantém até hoje, oito anos depois de sua morte?, comenta Graça.

Há dois meses, ele recebeu injeção de ânimo, com a entrada do produtor Diler Trindade (dos filmes da Xuxa, dos Trapalhões e do padre Marcelo Rossi) no projeto. Logo a Telemar acenou com 10% do patrocínio e a Central Globo de Comunicação (que cuida da imagem da Rede Globo) tornou-se parceira. ?Isso facilita a mídia do filme e o acesso ao acervo de imagens da emissora?, comemora o diretor. ?Mas o principal ganho da sociedade com Diler é sua experiência com grandes produções. Sou um diretor à moda européia, que produz os filmes mas, para falar de Betinho, quero dividir a tarefa, ouvir pessoas que o conheceram, até para ficar dentro da filosofia dele, que era não impor nada, mas chegar a consenso.?

Para Diler, Betinho foi uma escolha afetiva. ?Alberto Graça me trouxe para o cinema, há 20 anos. Ele produzia a Ópera do Malandro e procurou minha agência de publicidade para obter patrocínios. Gostei tanto da experiência que nunca mais deixei a atividade?, lembra Diler. Graça quer reduzir o orçamento inicial de Betinho. ?Ele tem uma estrutura fixa, que reduz custos e agiliza a produção?, comenta Graça. ?É o sonho de todo mundo que faz cinema.?

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