Vera Zimmerman é Sandra
na 2.ª fase de Marisol.

Vera Zimmerman jamais imaginou interpretar uma vilã como Sandra, sua personagem na segunda fase de “Marisol”, que começa segunda-feira. Os tons exageradamente melodramáticos da novela do SBT chegam a divertir a atriz, assim como as reviravoltas que a maquiavélica Sandra sofre ao longo da trama da mexicana Inés Rodena. “O trabalho é o tempo todo no exagero. Eu nunca tinha feito isso”, analisa Vera.

Depois da passagem de 18 anos na trama, Sandra é uma bem-sucedida advogada criminalista que consegue livrar da cadeia o personagem de Carlos Casagrande, Rodrigo. Quando tudo começa a dar certo na vida da protagonista, interpretada por Bárbara Paz, a vilã resolve voltar suas garras afiadas para o galã e tira a tranqüilidade do casal. Quem salva a pele da mocinha, desta vez, é sua filha adotiva, Vanessa, interpretada por Adriana Ferreir. Isso porque Sandra descobre que Vanessa é, na realidade, a filha que ela abandonou numa praça há alguns anos. Consumida pela culpa, a maldosa personagem resolve poupar Marisol de seu veneno.

“Mas, uma vez má, sempre má”, garante Vera, dando pistas de que a metamorfose não será assim tão perfeita, o que não chega a ser nenhuma novidade em se tratando de tramas “enlatadas”.

Rapidez

A atriz se espanta com a rapidez com que as coisas acontecem na novela. Todas as transformações na personalidade conflituosa de Sandra, por exemplo, acontecem em cerca de um mês e meio, já que o final da trama está previsto para setembro. “Nas novelas mexicanas, você não tem aquele trivial em que as pessoas chegam, sentam na sala e falam amenidades”, tenta explicar Vera, destacando, porém, que o estilo agrada a muita gente. “Tanto que a novela está fazendo sucesso”, completa, amparada pela média de 18 pontos que “Marisol” vem conseguindo manter no Ibope.

Volta

Vera estava afastada das novelas desde 1999, quando participou de “Malhação”. No ano passado, no entanto, ela apareceu no SBT como a prostituta Cecília, do “remake” de “Direito de Nascer”. A novela, gravada em 1997, teve a exibição adiada por quatro anos. De lá para cá, a atriz participou da minissérie “Amor Quase Perfeito”, do canal pago Multishow, da Globosat, e do extinto programa ecológico “Sãos e Salvos”, da TV Cultura. A volta ao SBT, onde fez também “Dona Anja”, de 1996, e “Razão de Viver”, de 1997, é vista com muito bons olhos.

Em casa

“No SBT, eu me sinto em casa. E vejo um crescimento muito grande da emissora em termos de dramaturgia”, derrama-se.

A única crítica que a atriz faz à emissora de Sílvio Santos é a insistência nas novelas “enlatadas”. Ela destaca a importância do investimento em textos nacionais para “dar uma cara” à teledramaturgia do SBT.

Mas reconhece que a produção local das tramas mexicanas também gera muitos empregos. “Duro mesmo é ter de encarar as que já vêm prontas, porque essas não empregam ninguém. E você ainda tem de aturar a dublagem”, critica a atriz, que tem contrato com o SBT apenas até o final de “Marisol”.

Planos

Para depois da novela, a atriz já tem dois projetos no teatro. Em outubro, ela estréia em São Paulo a peça “A Ponte e a Água de Piscina”, escrita por Alcides Nogueira e dirigida por Gabriel Vilella. E já está em seus planos também um espetáculo infanto-juvenil ao lado de Juan Alba, que interpreta o Rubens em “Marisol”.

Aos 38 anos de idade e 20 de carreira, Vera, que ficou marcada pelo sucesso da “divina” Magda de “Meu Bem, Meu Mal”, novela que a Globo exibiu em 1990, avisa que só pretende voltar à tevê ao término da temporada dos dois espetáculos. Mas, por enquanto, ela só tem olhos para “Marisol”. “O trabalho do ator tem um lado, às vezes, muito cansativo. Mas eu espero conseguir gostar da novela até o final”, torce.