A partir de amanhã, o SBT começa uma missão quase impossível: descobrir um cantor ou uma cantora num "reality-show" que consiga superar a maldição das celebridades instantâneas. O programa Ídolos, versão brasileira do britânico Pop Idol, será exibido às quartas e quintas-feiras e terá um total de 34 edições. Com apresentação a cargo de Beto Marden e Lígia Mendes, Ídolos visa selecionar um jovem, entre 18 e 30 anos, para se tornar um novo nome da música brasileira, independentemente de estilo musical. As várias tentativas parecidas feitas até agora não deram muito certo. Como foi o caso do Fama, da Globo, e do próprio Popstar, do SBT. Mesmo assim, a emissora volta a apostar no formato. Daniela Beyrute, diretora-geral, conta que o principal objetivo é realmente fazer com que o vencedor não caia no esquecimento. "Não serão apenas 15 minutos de fama. Na verdade, vamos dar o primeiro passo na carreira desse futuro artista", promete.
Segundo Daniela Beyrute, para ganhar o direito de assinar um contrato com a Sony/BMG o candidato terá de mostrar muito talento e passar por várias "peneiras". A primeira foi a seleção para avaliar cerca de 12 mil inscritos em audições nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e Brasília. Desse total, os 120 selecionados foram avaliados por um júri formado por Cynthia Zamorano, Arnaldo Saccomani, Thomas Roth e Carlos Eduardo Mirando. Daniela Beyrute ressalta que é a partir daí que as coisas começam a esquentar, uma vez que as oito primeiras edições do programa vão mostrar o processo de seleção dos 30 candidatos finalistas. Só, então, o público passará a votar, via telefone, e o programa passará a ser ao vivo. "Será quando teremos mais emoção, pois estaremos mexendo com sonhos e esperanças", destaca.
A participação dos telespectadores, por sinal, deverá animar ainda mais os candidatos. Fernanda Telles, diretora artística de Ídolos, acredita que a interatividade é importante para encontrar um cantor ou uma cantora que realmente agrade. Além disso, ela acrescenta que nas edições ao vivo haverá uma pequena platéia no estúdio. A idéia é fazer com que o público possa torcer de perto pelo candidato preferido, em vez de mantê-lo confinado numa casa ou hotel, como acontecia com Fama e Popstar. "Não é uma espécie de academia musical, onde eles aprendem a cantar. Todos os candidatos já chegam aqui para disputar e precisam convencer jurados e público", compara.
A esperança da produção é que a presença do público no estúdio mexa com os nervos dos candidatos. Para Arnaldo Saccomani, compositor e produtor musical que integra o corpo de jurados do Ídolos, a platéia serviria como um termômetro para o júri. Isso porque um dos requisitos será avaliar se o candidato à fama sabe se comportar diante do público. Saccomani acrescenta também que não basta apenas ter boa voz ou uma bela aparência. "Vamos analisar também o candidato que souber se relacionar bem com o público, seja dentro ou fora dos palcos", ensina.
O jurado Carlos Eduardo Miranda, por sua vez, destaca que uma das preocupações do programa é lançar um artista completo, que tenha sensibilidade, personalidade própria e boa presença de palco. Ele também acrescenta que, apesar de ter somente um vencedor, nada impede que outros candidatos emplaquem. Carlos Eduardo garante, contudo, que um dos objetivos do programa é impedir que as histórias de vida dos candidatos tenham um grande peso na hora do espectador votar. "Não vamos avaliar se fulano é pobre ou se sicrano é mais sofredor. Por isso, não adianta choradeira", avisa.


