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Um Paul para se ver sob dois olhares

  • Por Estadão Conteúdo

E lá estava ele mais uma vez, Paul McCartney. Era agora um homem de 76 anos, observado pela mulher Nancy Shevell nos camarotes, com os cabelos mais grisalhos. Sua voz estava ótima, como havia confirmado cantando Oh Darling! ao telefone, em entrevista ao Estado, e sua forma física era de novo invejável, garantindo uma juventude desafiadora. Era a turnê batizada agora Freshen Up Tour, uma nova turnê, a quinta que ele praticamente emenda uma à outra por uma década. Há então dois olhos para se ver Paul: os de quem o recebe pela primeira vez e os de uma plateia crescente que começa a colecionar shows e a fazer comparações com suas últimas passagens pelo Brasil.

A que vê agora, Paul está um deslumbre. Um sonho que se passa em ritmo crescente por quase três horas, a partir das 20h45. Seu repertório é generoso, 40 canções, e tenta cobrir, como ele diz, o começo, o meio e o fim, ou o atual momento, de sua história. Um pêndulo que bate forte nos saudosos dos dias ingênuos, com a abertura de A Hard Days Night e, mais pra frente, All My Loving, From Me To You e Love me Do. Que pega os iniciados na fase Wings, de Maybe I’m Amazed, Band on The Run e Let Me Roll It. Que vai aos especialistas, com In Spite of All the Dancer, a primeira música gravada pelos Beatles, e The End, a despedida da banda e do show.

Há o Paul ainda criativo do disco novo, de Fuh You e Who Cares, e sua homenagem ao Brasil, o País que mais o recebe depois dos Estados Unidos, com Back in Brazil. O Paul das canções feitas com os anjos e o violão de aço, como Blackbird (inspirada, vejam só, na Bourée em mi menor, de Johann Sebastian Bach) e o country delicioso I’ve Just Seen a Face (Yesterday não embarcou ao Brasil desta vez). O Paul do peso das guitarras nervosas de Back in the URSS, de Helter Skelter (um avô do heavy metal, a música que o assassino Charles Manson acreditava conter profecias apocalípticas) e de I’ve Got a Feeling (um belo teste para a voz que chega com folga). O Paul do piano, de Lady Madonna, My Valentine e de suas duas cláusulas pétreas: Let it Be, quando 45 mil pessoas acendem seus celulares e criam um céu na terra, e Hey Jude, o maior dos grandes momentos, com cartazes subindo em toda a plateia e nas arquibancadas com os dizeres “Na Na”. São muitos homens ali dentro, muitas cores, uma linha emocional que jamais segue reta e que, assim, torna possível uma aparição de três horas sem cansar.

Aos que começam a se especializar, nem tudo pode parecer tão perfeito, e as críticas começam nas comparações. Ao contrário de outras vindas, o som dos instrumentos e da voz era mais baixo logo no início da noite. As músicas vinham sem pressão, sem impacto, pelo menos até que tudo entrasse nos eixos. Back in Brazil não está entre suas melodias mais inspiradas e o seu vídeo, com uma garota baiana em cenas um tanto estereotipadas pelas ruas de Salvador, pode não ser o mais indicado. Quase tudo fica bastante parecido com seus últimos shows, como o final com The End (embora a sequência anterior traga diferenças) e com a dancinha bem humorada de Abe Laboriel Jr, seu baterista gigante e performático, que foi feita em duas ou três turnês anteriores. Uma plataforma levanta de novo Paul em certo momento da noite e seus pianos, o de cauda e o de armário, têm exatamente a mesma disposição, assim como toda a banda que o segue há mais de 15 anos.

Há um trio de metais que surge do meio da plateia e segue para o palco no início do show. Uma pequena mexida que já traz oxigênio puro. Seria fácil dizer a Paul que o melhor, assim que a turnê terminar, é tirar umas férias e depois mexer em tudo, banda, cenário, dinâmica, luzes. Mas quem disse que Paul, aos 76 anos, aceitaria? Depois de estar em uma banda em que tudo devia ser meticulosamente negociado e que deixou precocemente os palcos quando a festa estava no melhor momento, ele parece disposto a morrer em um.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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