O escritor Andrea Camilleri costumava dizer que gostaria de terminar sua carreira sentado em uma praça e contando histórias – e, depois, passando entre o público com sua boina na mão. Aos 93 anos, o escritor italiano que ficou famoso no mundo todo com as histórias que criou para o delegado Montalbano se preparava para estrear, este mês, um monólogo, quando foi internado em um hospital de Roma para cuidar de um problema cardíaco e de complicações por causa de uma fratura no quadril. Camilleri morreu na quarta-feira, 17.

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Nascido em Porto Empedocle, na Sicília, no dia 6 de setembro de 1925, Andrea Camilleri trabalhou por muito tempo como roteirista e diretor de teatro e televisão, produzindo os famosos seriados policiais do delegado Maigret e do tenente Sheridan. Estreou como romancista em 1978, aos 53 anos, mas ficou famoso mesmo aos 73 anos, no final dos anos 1990, com o lançamento de A Forma da Água, a primeira história com o comissário siciliano Salvo Montalbano.
A fama de seu personagem erudito e avesso às armas e à violência ultrapassou as fronteiras da Itália, onde Montalbano virou tema, também, de uma série de televisão.

Profícuo escritor, seus livros foram traduzidos para várias línguas e só na Itália ele vendeu cerca de 25 milhões de exemplares. No Brasil, quem publica a obra de Andrea Camilleri é o Grupo Record e a lista é extensa. Entre eles estão os policiais A Lua de Papel, A Paciência da Aranha, O Cão de Terracota, A Revolução da Lua e A Caça ao Tesouro; os romances O Todomeu e A Revolução da Lua e os juvenis Magia e O Nariz.

O escritor italiano, que dizia ter alergia a escrever sobre a máfia, viveu por mais de 50 anos numa casa modesta em Roma, e sempre se definiu como uma pessoa de esquerda – algo que estava implícito em sua obra.

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Seu 100º título, LAltro Capo del Filo (O Outro Fim da Fila), também uma história com Montalbano, foi lançado em 2016, quando já estava ficando cego (ele precisou ditar o texto). A obra aborda o drama dos refugiados que tentam chegar à Sicília e acabam sendo resgatados no mar. Em 2017, Camilleri publicou Esercizi di Memoria (Exercício de Memória), com 23 histórias sobre sua vida. ( Com Agências Internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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