A idéia é um canal infantil com programação 100% nacional. A TV Rá-Tim-Bum foi idealizada pela TV Cultura e começa a ir ao ar dia 12 de dezembro, Dia Internacional da Criança, exibindo um conteúdo totalmente produzido no Brasil. “Queremos contribuir para o desenvolvimento da identidade nacional, sem perder o foco no entretenimento de qualidade”, explica Mauro Garcia, coordenador do projeto da TV Rá-Tim-Bum e ex-presidente da TVE do Rio de Janeiro. A idéia do canal surgiu há um ano e desde então foram feitas diversas pesquisas de mercado e estudos financeiros para avaliar a viabilidade do empreendimento.

De início, a intenção é exibir atrações já consagradas na TV Cultura, como Castelo Rá-Tim-Bum, Cocoricó e Mundo da Lua. Como a emissora dispõe de um numeroso acervo, o novo canal já conta com uma frente de programação de oito meses. Os atores que participaram desses programas também estão empolgados com o projeto. Rosi Campos, que atuou cerca de um ano e meio no Castelo Rá-Tim-Bum como a bruxa Morgana, acredita que reprisá-lo é uma forma de levar conhecimento e diversão para as crianças. “O Castelo, por exemplo, tem um forte conteúdo pedagógico e tira o caráter chato do aprendizado”, valoriza a atriz. Para serem exibidas no novo canal com uma melhor qualidade de imagem, essas antigas produções estão sendo remasterizadas.

Apesar de o canal infantil começar com a exibição de reprises, a TV Cultura espera obter sucesso e não acredita que isso irá diminuir o interesse dos “baixinhos”. “As crianças não olham o todo. Quando vêem algo novamente, sempre percebem uma novidade”, explica Cícero Feltre, diretor de marketing e vendas da Fundação Padre Anchieta, que controla o novo canal.

Outro elemento que contribui para esse pensamento é a boa receptividade do projeto pelas operadoras de tevê a cabo. “Ainda não temos nada definido, mas identificamos no canal uma boa oportunidade de incrementar a programação infantil oferecida pela Net”, pondera André Luiz Guerreiro, diretor de serviços e produtos da Net Serviços.

Mas a intenção da TV Rá-Tim-Bum é exibir também programas criados só para o canal, alguns comprados de produtores independentes e outros de tevês educativas. “A TV Cultura do Pará, por exemplo, tem uma série com marionetes sobre lendas brasileiras que gostaríamos de exibir”, revela Mauro. A preocupação com a “brasilidade” do canal é tanta que até as trilhas sonoras estão sendo desenvolvidas por compositores brasileiros, como Hélio Ziskind. Mas a TV Rá-Tim-Bum ainda apresenta um outro diferencial. “Não é um canal apenas de desenho, mas sim de programação infantil, com muita dramaturgia e informação”, explica Cícero.

Sem gente grande

Toda comunicação visual do novo canal será feita através de bonecos. O Rá, o Tim e o Bum, respectivamente um tatu, um pássaro e uma preguiça, vão funcionar como os apresentadores das atrações. A intenção é criar um ambiente só das crianças sem a intervenção dos adultos. “Também não queremos gente para não incentivar uma fábrica de consumo”, esclarece Mauro, se referindo aos produtos licenciados por apresentadores infantis. A publicidade também é outra preocupação. O canal terá apenas 22 “breaks” por dia e não vão ser permitidos comerciais que mostrem qualquer tipo de discriminação, apelo erótico e crianças pedindo produtos para os pais.

O canal é voltado basicamente para crianças de dois a dez anos, mas a programação não fica apenas por conta dos “baixinhos”. Das 22 h às 24 h, a TV Rá-Tim-Bum vai exibir programas sobre educação, saúde, nutrição e pedagogia infantil, todos voltados para pais e educadores. “A intenção é buscar a melhoria da relação entre os adultos e as crianças e o bem-estar de ambos”, explica Mauro.