Na Première Brasil do Festival do Rio, há alguns anos, o repórter já teve o privilégio de flagrar alguns momentos muito especiais. O cineasta Cacá Diegues, na plateia, assistindo ao belo documentário de Beto Brant e Camila Pitanga sobre o ator Antônio Pitanga. Com aquela exuberância que lhe é característica – até hoje, um corpo um movimento -, Pitanga lembrava como, migrante, foi acolhido na casa de Cacá, em seu começo no Rio. Dividindo-se entre a tela e a plateia, o olhar do repórter percebia a emoção do cineasta quando o ator contava, com graça, aquelas velhas histórias. No ano passado, o ator na tela era Paulo José e o diretor, na plateia, Domingos Oliveira. O filme, Todos os Paulos do Mundo, de Rodrigo de Oliveira e Gustavo Ribeiro, que estreia nesta quinta-feira, 10.

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Vários atores dão voz a Paulo, que, aos 81 anos – nasceu em Lavras do Sul, no Rio Grande do Sul, em 20 de março de 1937 -, sofre de Parkinson e tem muitas vezes dificuldade de se expressar. Domingos é outro que sofre de Parkinson. Continuam, na terceira idade, se frequentando como quando jovens. E são capazes de ficar horas numa conversa só deles. Era evidente o prazer de Domingos vendo seu intérprete mítico (estrelou, ao lado de Leila Diniz, Todas as Mulheres do Mundo, que Oliveira rodou em 1967) retratado na tela.

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Todos os Paulos do Mundo estreia em salas de todo o Brasil, integrando o programa Petrobrás Cultural. A distribuição é da Vitrine. Por que Paulo José? Por que um filme sobre ele? Gustavo Ribeiro está agora ocupado, filmando. Participa de uma série biográfica de escritoras para a HBO. Realiza filmes sobre a poeta Adélia Prado e a romancista Rachel de Queiroz, por exemplo. Quem conversa com o repórter, pelo telefone, é Rodrigo de Oliveira. Conta que, antes de ser cineasta, nos tempos da faculdade de cinema – na UFF -, era monitor no curso de cinema brasileiro.

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Nessa época, começou a (re)ver os filmes de Paulo José. Depois, houve uma grande retrospectiva dedicada ao ator e diretor, que Paulo também é. Rodrigo viu tudo. Descobriu como esse Paulo, mais que parte da história do cinema no País, era parte da sua vida. A partir daí, um filme tornou-se necessário, inevitável. Está chegando – Todos os Paulos do Mundo. São muitos, que configuram um só. Com a cara do Brasil.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.