Thom Yorke: a expressão da contemporaneidade

Diante do que virou o Radiohead em sua exuberância avant-garde, é natural que os projetos paralelos de seus integrantes soem menores. A única exceção se dê, talvez, pela atuação magnífica do guitarrista Jonny Greenwood como “trilheiro” para o cinema. O caso do Atoms For Peace é notório. No papel, até representava sinais de inovação. Na prática, porém, Amok soa como esboço do Radiohead em suas mais recentes incursões. Ou seja, as múltiplas texturas eletrônicas aplicadas a uma canção enigmática e melodias sinuosas. Mesmo disperso em sua excentricidade, o núcleo Yorke/Godrich exerce fascínio incontestável. É da tensão entre o estranho e o belo que o duo projeta uma massa sonora sedutora. Como não reagir ao futurismo de Before Your Very Eyes? O discurso de Thom Yorke, em sua abstração, carrega angústia, desconforto e uma dose de misticismo. Para os intelectuais, a expressão da contemporaneidade. Levado menos a sério, é “apenas” a melancolia fragmentada em espanto e prazer.

Thom Yorke – Atoms for Peace – Amok – Preço: US$ 9,99

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

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