Thierry : “Se fosse há 3 anos,
estaria nervoso”.

Thierry Figueira não faz a menor questão de fugir do lugar-comum ao afirmar que “tudo tem uma hora certa para acontecer”. Depois de 10 anos de carreira na tevê, o ator vive seu primeiro protagonista em Seus Olhos, do SBT. Mas não se assusta com a responsabilidade de dividir com Carla Regina o principal par romântico da história, na pele do boa-praça Artur. Segundo ele, se a oportunidade tivesse surgido antes, a história seria bem diferente. “Se fosse há três, quatro anos, estaria nervoso, preocupado, uma pilha, mas agora…”, minimiza, com um sorriso sereno.

Em parte, o ator atribui o momento “relax” à experiência acumulada desde seu primeiro trabalho na tevê, na novela A Viagem, de 1994. Ao mesmo tempo, no entanto, faz questão de ressaltar que a “bagagem” não é nada perto da que ele ainda pretende acumular. “Tenho consciência de que não sei nada da vida, mas pelo menos não fico mais assustado”, pondera, rindo de si próprio.

Já a responsabilidade do SBT sobre o atual momento da carreira do ator é inegável. Depois de interpretar o atormentado João de Deus, um dos papéis centrais de Canavial de Paixões, voltar ao ar logo na próxima novela produzida pela emissora encheu Thierry de confiança. “Este convite prova que meu trabalho foi reconhecido. Fico lisonjeado por eles apostarem em mim”, orgulha-se o ator, que se surpreendeu com a repercussão das novelas da emissora. “Tive muito reconhecimento nas ruas por conta do personagem. Não imaginava que fosse tanto assim”, admite.

Em Seus Olhos, Thierry vai experimentar um papel oposto ao que viveu em Canavial de Paixões. Enquanto João de Deus “empatava” o romance dos personagens centrais da história, vividos por Bianca Castanho e Gustavo Haddad, Artur é o grande amor da vida de Renata, personagem de Carla Regina. “Ele tem todas as características do mocinho: é bonzinho, trabalhador e não tem preconceito contra nada”, define Thierry.

Logo no começo da terceira fase da história, Artur vai enfrentar a cara feia da família inteira ao apresentar a humilde Renata como sua noiva. A moça, na realidade, é herdeira de uma fortuna, mas não sabe disso e vive em absoluta simplicidade. “Ele vai brigar pelos direitos do ser humano”, exagera Thierry, empolgado.

Mais brasileira

A evidente animação do ator com o trabalho não é fruto apenas de seu primeiro papel. Assim como boa parte do elenco e da equipe de produção de Seus Olhos, Thierry está apostando no fato de que a novela será a mais “brasileira” das já produzidas pelo SBT nos últimos tempos. E o que o anima é a liberdade que a autora Ecila Pedroso vai ter para fazer adaptações que reflitam o gosto do público. “Novela, para mim, tem de ser aberta, tem de ir se adaptando, se adequando às reações das pessoas”, opina. É exatamente nas mãos do público que ele acredita estar o destino da relação de Artur com o pai, Vítor, vivido por Petrônio Gontijo.

O obcecado vilão vai disputar o amor de Renata com o próprio filho. E o ator garante que sequer imagina qual será a reação do mocinho. “Como ele é muito correto e honesto, acredito que não vá fazer nenhuma loucura”, aposta.

Aos 26 anos, Thierry vê com bons olhos a prória trajetória. Depois de vários trabalhos na Globo, como as novelas Cara e Coroa e Vila Madalena e o “folheteen” Malhação, o ator fez uma “parada estratégica”depois da minissérie Aquarela do Brasil, quando passou nove meses na Califórnia, estudando inglês e teatro. “As pessoas diziam que eu estava maluco, porque estava na mídia e quando voltasse ninguém ia se lembrar de mim.”

“Mas quero fazer coisas diferentes da minha vida”, justifica, tranqüilo. É com a mesma naturalidade que ele encara o fato de ter saído da emissora líder de audiência para trabalhar nas adaptações mexicanas do SBT. “Tudo que tenho devo à Globo, mas estou vivendo um momento diferente no SBT. É importante ter outra emissora produzindo dramaturgia”, avalia, certo de estar cumprindo uma função social.

Desempenhando outros papéis

O intenso ritmo de gravações do SBT não chega a preocupar Thierry Figueira. Agitado por natureza, o ator não tem medo de trabalho. Tanto que conseguiu conciliar as gravações de Canavial de Paixões com a administração da produtora de eventos 03, na qual é sócio com dois amigos. Com quase um ano de existência, a empresa ocupa boa parte do tempo em que Thierry não está nos estúdios. “É claro que tudo anda bem sem mim. Mas, no primeiro ano, é importante a gente estar presente”, justifica ele, animado. Atualmente, o ator anda às voltas com a produção de dois shows – um da Banda Eva e outro do grupo Asa de Águia. “Adoro este trabalho. Faço questão de estar presente em todos os shows”, declara, com ares de folião.

O gosto da produção apareceu assim que Thierry começou a se envolver com o teatro. Mas, como ele mesmo diz, nunca levou o “hobby” muito a sério. A história mudou de figura quando dois de seus grandes amigos, empresários, contaram que estavam montando a produtora. “Logo me ofereci para ser sócio. A carreira de ator é muito instável. Num dia, você é campeão de cartas da emissora, no outro pode estar esquecido”, radicaliza. Dedicado, ele diz que tem aberto mão de fazer teatro para garantir sua presença nos eventos que produz – “já tive uns 10 convites”, assegura. E já prevê um futuro promissor para o negócio. “Em pouco tempo, já ocupamos uma boa fatia do mercado e incomodamos muita gente”, gaba-se, orgulhoso.