Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
Carol Castro: ?Rapidez da tevê imprssiona?.

Um papel com várias velocidades diferentes. Esse é o maior estímulo de Carol Castro na hora de entrar no estúdio e gravar suas cenas como Ruth, a vilã de O profeta. Acostumada a compor personagens que beiram a maldade, a atriz conseguiu, em sua quarta novela, uma chance de exercer toda a vilania e desequilíbrio que seus outros papéis não alcançaram. ?Saio da falsa tranqüilidade para a fúria num piscar de olhos?, explica.

A novela O profeta marca uma nova fase em sua carreira. Além do destaque que sua personagem tem, esta é a primeira trama propriamente de época do currículo de Carol. ?A Mercedita, de Bang Bang, vivia num período fictício, mas não tinha todo esse cuidado?, lembra. Para compor Ruth, a atriz precisou estudar, e muito. Foram semanas em aulas de dança, tênis e etiqueta, além de várias horas em frente à tevê assistindo a clássicos do cinema. Entre os filmes que ganharam espaço nas prateleiras de Carol, estão A malvada, A dama de Shanghai, Adorável pecadora e A mulher absoluta. ?Agora tenho uma vídeo-locadora de época em casa?, diverte-se. A maioria das aulas ajudou na hora de definir o comportamento que os atores têm que exibir para personagens dos anos 50, mas algumas foram em vão. É o caso das lições de dança e tênis, já que por conta da falta de frente e do tempo que se perde gravando, não foram exploradas na trama.

Na hora de se preparar para o trabalho, a maior preocupação da atriz era retratar um período que ainda está ?fresco? na cabeça de parte dos telespectadores. Para isso, contou com a ajuda de várias pessoas, entre elas, a própria avó. ?É impressionante como ela se lembra de alguns detalhes, comenta comigo o que acha de parecido. Tem me ajudado bastante?, conta. Mesmo assim, a atriz não se prende tanto aos ensinamentos. Isso porque a personagem tem características consideradas avançadas para o período retratado na novela.

Logo em seu primeiro papel na tevê, Carol experimentou a reação do público às maldades de suas personagens. Em Mulheres apaixonadas, em 2003, Gracinha foi criada pelo autor Manoel Carlos para apimentar o meloso romance de Cláudio e Edwiges, de Erik Marmo e Carolina Dieckmann. ?Fiquei impressionada com a rapidez do retorno na televisão. Mal tinha começado a aparecer na história e o povo já me chamava de ?Desgracinha? nas ruas?, recorda, às gargalhadas. No ano seguinte, em Senhora do destino, Carol interpretou uma garota que escondia a mãe biológica para se aproveitar da boa vida que conquistou. Em 2005, a moça encarnou a espevitada Mercedita, de Bang Bang, personagem usada para atrapalhar o romance dos protagonistas Diana e Ben, de Fernanda Lima e Bruno Garcia.

Depois da novela, Carol pretende se dedicar mais ao cinema. A atriz atuou em três filmes, um deles na Argentina. Perigosa obsessão deve entrar no circuito nacional ainda no primeiro semestre de 2007, mas foi filmado há três anos. Para participar da produção, Carol precisou aprender castelhano em apenas duas semanas. ?Fizeram questão de uma atriz brasileira. Fiz testes com muita gente conhecida. Consegui o papel logo depois da Gracinha?, revela. Na história, Carol interpreta uma jornalista brasileira. As duas produções nacionais que contaram com a participação da atriz foram Um show de verão e O caminho das nuvens. Neste último, ela começou trabalhando na produção de elenco.

Fora da lei

Carol Castro foi descoberta pelo produtor de elenco Luiz Antônio Rocha, hoje da Record, quando encenava a peça Terror em Copacabana. Mas, pela lei, a então adolescente não poderia estar no palco ao lado dos colegas de elenco. É que alguns meses antes, quando Carol ainda tinha 16 anos, o juiz Siro Darlan multou sua companhia e proibiu menores de 18 anos de integrar o espetáculo. ?Fiquei revoltada. Escrevi uma carta para um jornal, mas é claro que não publicaram. Se fosse hoje, que sou famosa, sairia na imprensa na mesma hora?, desabafa.

Antes de conseguir se sustentar com a profissão, Carol ganhava a vida vendendo acessórios em feiras de moda cariocas. Desde tatuagens e presilhas de cabelo a roupas de festas ?rave?, vários foram os produtos comercializados por ela. ?Busquei minha independência desde cedo. Eu tinha contas e aluguel para pagar?, fala. Seu visual, na época, era bem diferente do adotado na atualidade. ?Tinha piercing no umbigo e no queixo?, revela.

Agora a atriz está tranqüila em relação a seu futuro. Desde que terminou de gravar Senhora do destino, Carol é funcionária da Globo. Seu contrato foi renovado recentemente e só termina em 2010. ?O ator precisa desta valorização?, opina.