d24.jpgLuiz Renato Ribas (Silva), cronista, jornalista e empresário, foi além da previsão. Queria reunir num pequeno volume as estórias pitorescas dos anos dourados da crônica turfística do Paraná, mas acabou contando a história do turfe paranaense. E através dela prestou uma bonita homenagem à rapaziada da ?caneta? e da ?latinha?, quase toda já na casa dos 70, proclamando-a ?os super-heróis da crônica dos anos 50s?.

Lá estão, entre outros, flagrados nas mais diferentes situações, Super-Homem, Batman, Zorro, Tarzan, Mandrake, Fantasma, Príncipe Submarino, Capitão Marvel, Flash Gordon, Homem-Aranha e até o nipônico National Kid. Na vida real, Raphael Munhoz da Rocha, Herrera Filho, Fernando Wolff, Guido Bettega, Dimas e Dalton Mehl, Sylvio Ronald, Hugo e Luiz Fernando Kosop, Carlos Scarpim, Heros Zanardini, Fernando Guimarães, Ito Fabrício, Renato Marinoni, Léo Veloso, Ary Ayres, Antônio Nogueira e o próprio autor.

?Turfe é coisa séria? – sentencia Ribas, aduzindo: ?Engraçados são os homens e os cavalos. Prova disso estão nas dezenas de ?causos? reunidos nas 135 páginas de informação e graça de Esses cronistas super-heróis e suas mancadas maravilhosas, edição caseira, lançada na semana passada na sede do hipódromo do Tarumã, durante o significativo GP Os sobreviventes.

Com a costumeira paixão, Ribas fuçou jornais e revistas, entrevistou meio-mundo, fez contato com coleguinhas de São Paulo, Rio e Porto Alegre, e, brincando, fez um belo trabalho. Desenterrou histórias preciosas, do tempo em que cronista recebia ?mensalão?, diretores do prado participavam de ?guerra de coices?, cronista avisava que estava na hora da injeção de ?dopping? e o jóquei abaixava as calças, treinador dopava a própria cueca, jóquei se atirava do cavalo para não vencer a prova, cavalo ganhava clássicos sem entrar na pista e jóquei largava num cavalo e cruzava o disco final na garupa de outro… Estórias de ficar na história.

?Hoje, a coisa é bem diferente? – assinala Ribas. ?Hoje, não mais se verá um Manoel Vera jogando-se do cavalo em pleno galope, um Antônio Bolino pegando carona na manta do cavalo da frente, jóqueis escondendo chumbos na cerca para acertar o peso depois, ou ?puxando? os favoritos para trás… Ninguém mais será capaz de batizar um cavalo de ?Filho da Puta?… Todo esse encanto caipira do turfe acabou com a entrada da TV nos hipódromos e a repressão ao ?dopping?? – completa.

Mas a lenda ficou. E foi registrada por Luiz Renato Ribas Silva, com fotos e charges (do veterano e sempre moderno Diniz Bonilauri), em Esses cronistas super-heróis e suas mancadas maravilhosas, capa e projeto gráfico do designer Maurício Simões (também responsável pela ilustração anexa) e edição da Maxigráfica, à disposição dos interessados pela internet, através do site www.cavalolouco. com. br.