O Teatro da Caixa traz a Curitiba, neste próximo final de semana, um dos mais tradicionais e talentosos grupos musicais brasileiros, "Os Demônios da Garoa" que, entre outras contribuições para a música brasileira, ajudaram a divulgar e imortalizar as composições de Adoniran Barbosa.

"Os Demônios da Garoa" surgiram no princípio da década de 40, quando quatro garotos entre 12 e 14 anos, reuniam-se para ensaiar. Com o nome de "Grupo do Luar", eles se apresentavam em clubes, festinhas de amigos e serenatas, já sob o comando de Arnaldo Rosa. Sem grandes pretensões, não recebiam nada em troca, somente os aplausos. De boca em boca, o grupo foi ficando conhecido e pessoas vinham de longe para ouvi-los, com sua fama correndo pelos bairros da Mooca, Brás e Belém onde moravam.

Seu valor começou a ser reconhecido quando resolveram participar dos programas de "calouros", que eram novidade naquela época. Havia um, chamado de "A Hora da Bomba", comandado por J.Antônio D’Ávila, na Rádio Bandeirantes. Já com Antonio Gomes Neto (Toninho) e Artur Bernardo integrados ao conjunto, o "Grupo do Luar" levou o primeiro prêmio do programa: um contrato para duas apresentações semanais nas Emissoras Unidas (Bandeirantes, Record, Panamericana e São Paulo). Era dado aí o primeiro passo da longa carreira que completa 63 em 2006.

O nome "Demônios da Garoa", segundo consta, foi escolhido através de um concurso entre os ouvintes do programa de Vicente Leporace, grande fã dos meninos. O nome foi sugerido por um ouvinte que se justificou assim: Demônios por causa do modo como Leporace chamava os garotos (endiabrados) e garoa por serem paulistas, numa alusão à expressão "São Paulo, terra da garoa". Assim, em meados de 1943, Vicente Leporace fazia a chamada dizendo: "Os fantásticos Demônios da Garoa".

Em 1949, fizeram um arranjo para "Mulé Rendeira" e a interpretaram junto com Homero Marques na trilha do filme "O Cangaceiro". Foi durante as gravações deste filme que conheceram Adoniran Barbosa.

Adoniram e os Demônios

Obviamente, não se pode falar de Demônios sem lembrar de Adoniran e vice-versa. São lados da mesma moeda.

Adoniran queria ser ator, mas conseguiu destaque como cantor e compositor desde cedo. Em 1936, gravou seu primeiro disco como cantor, na Columbia. Somente na década de 40 conseguiu realizar o seu sonho de ser ator, participando de várias produções, inclusive "O Cangaceiro" de Lima Barreto. Foi durante as gravações deste filme que Adoniran conheceu os Demônios da Garoa. Desse encontro, nasceram a amizade e a parceria que nos proporcionam até hoje momentos de boa música e humor.

No carnaval de 1951, fizeram grande sucesso com a gravação do samba "Malvina", o mesmo ocorrendo em 1952 com o samba "Joga a chave", de parceria com Oswaldo Molles.

Já nesta época, os Demônios tinham o seu estilo próprio, com um linguajar que se identificava com os bairros populares e bem de acordo com os sambas de Adoniran.

A década de 50 foi repleta de vitórias tanto para Adoniran quanto para os Demônios da Garoa.

"Saudosa Maloca", de 1955 e "Trem das Onze", de 1964, tornaram-se marcos e clássicos da nossa música popular, tendo sido esta última, inclusive, campeã do Quarto Centenário do Rio de Janeiro. Em compensação, os Demônios regravaram "A Voz do Morro", de Zé Kéti ("…sou natural daqui do Rio de Janeiro").

Pode-se afirmar com toda tranqüilidade que Adoniran Barbosa tinha os Demônios em mente quando compunha, assim como eles foram os grandes responsáveis pela divulgação do nome de Adoniran como compositor. Além das citadas acima, outras composições de Adoniran estouraram como sucesso de público: "Samba do Arnesto" , "Malvina", "Iracema", "Joga a chave", "Samba Italiano", quase todos clássicos da MPB.

Atualmente, a formação do conjunto é a seguinte:

Sérgio Rosa (filho de Arnaldo Rosa – falecido em 2000) – percussão

Roberto Barbosa (Canhoto) – cavaquinho

Sydney C. Thomazzi (Simbad) – violão de 6 cordas

Izael Caldeira da Silva – percussão

Serviço:

Show "Os Demônios da Garoa". Teatro da Caixa dias 17 a 19 de fevereiro (sexta e sábado, às 21 horas e domingo, às 19 horas). Ingressos a R$ 16,00 e R$ 8,00 (clientes, idosos e estudantes), à venda no Teatro da Caixa (rua Conselheiro Laurindo, 280), desde quinta-feira, sempre a partir das 12 horas. Informações 3321-1999.   

Maiores informações com Antonio Carlos pelo fone (41) 9972-4792.