Fazer de um espetáculo teatral um sucesso de público nunca foi tarefa fácil. No Dia Universal do Teatro (21 de março), o debate é sobre a produção local. Atores e diretores são unânimes em afirmar que a falta de verbas é o maior empecilho quando se tenta manter a arte. Segundo eles, a produção teatral em Cascavel ainda está engatinhando profissionalmente. Além da falta de profissionalização, os grupos locais sofrem com a falta de recursos e patrocínios para suas peças.

Para o diretor do grupo de Teatro Universitário de Cascavel (Tucca), Neuri Mossmann, devido a um mal hábito da população, a busca pela cultura em Cascavel ainda não é espontânea. "Já tivemos períodos em que a procura pelo teatro era admirável. Há uma década, por exemplo, havia uma necessidade de encontros culturais, reuniões políticas ou um simples bate papo entre amigos. Estes atos moviam a cultura local. Atualmente, podemos avaliar as pessoas, em geral, mais centradas nelas mesmas. Este é o resultado da rapidez e fechamento causados pela amplitude da tecnologia", comenta.

A avaliação feita por Mossmann tem fundamento em sua própria experiência. Ele trabalha há quase 20 anos com teatro no Município e acompanhou o movimento em todos os seus períodos. "Infelizmente este formato de arte retrocedeu, mas sempre acreditei que podemos reverter o quadro. A cultura pode se reerguer e agora é a hora disso acontecer", avalia o artista. O diretor, que tem passado por um calendário movimentado por dificuldades, ainda não desistiu da tentativa de melhorar o futuro e aconselha os iniciantes a não perder as esperanças.

Mesmo procurando não se render à insatisfação, atores e atrizes se viram como podem. O diretor do grupo teatral Éramos Três, Leonides "Tico" Quadra, avalia o campo de trabalho em Cascavel como sustentável, mas pouco reconhecido. "A cidade tem grandes chances de se tornar artisticamente ativa, mas para isso a aceitação do público precisa ser maior. Não temos espectadores preparados para assistir a um espetáculo e nem muitos atores aptos a encenar em peças grandes o suficiente para atrair um público maior".

Tico e tantos os outros atores aguardam esperançosos uma melhoria no campo das artes cênicas em Cascavel com a prevista construção do Teatro Municipal. "Com um grande espaço, atraíremos grandes peças saídas do eixo Rio-São Paulo. A conseqüência é uma ampliação no conteúdo oferecido aos nossos atores, um aprimoramento de espetáculos locais e um melhor aproveitamento da cultura pelo público da região", comenta o ator Carlos Eduardo Cardoso. Sonho, este, que possivelmente não esteja tão longe de se tornar realidade.

Segundo o diretor de Difusão Cultural da Secretaria de Cultura, Vanderlei dos Anjos, outros avanços ainda precisam ter prioridades antes de qualquer projeto, como o Teatro Municipal, sair do papel. "Cascavel não possui raízes culturais, por isso padece neste quesito. O primeiro passo para uma melhoria, já adotada pela política cascavelense atual, é o incentivo local à cultura e o apoio à profissionalização no teatro. O que é certo é que, sem um trabalho de base com a população, até mesmo a implantação de um curso de Artes Cênicas na cidade seria desperdício", completa, garantindo que ainda assim a cidade terá melhorias em todas as áreas artísticas.

História do Teatro

O teatro surgiu na Grécia antiga em função das manifestações em louvor ao Deus do vinho, Dionísio. A cada nova safra de uva, era realizada uma festa em agradecimento ao Deus. A partir daí, surgiram os festivais de teatro e com eles, a tragédia e a comédia. Com a dominação do Império Romano, o teatro deixou de ser uma primazia grega para se espalhar pelo mundo. Mais tarde, já na Idade Média, um teatro mais histriônico, baseado em improvisações e com apresentações mambembes, levava alegria às vilas.

A Commedia del’arte aparece com personagens bastante conhecidos dos nossos bailes carnavalescos, como a Colombina e o Arlequim. É nesta época também que tomamos conhecimento do grande dramaturgo inglês, Shakespeare. As representações teatrais tinham lugar em recintos ao ar livre, construídos para o efeito. Os teatros gregos tinham tão boas condições que os espectadores podiam ouvir e ver, à distância, tudo o que se passava na cena, mesmo tratando-se de uma assistência muito numerosa. Isso devia-se, por um lado, ao fato de as bancadas se abrirem em leque sobre a encosta de uma colina e, por outro lado, a diversos artifícios utilizados em cena.

Os atores usavam trajes de cores vivas e sapatos muito altos para ficarem com uma estatura imponente. Cobriam o rosto com máscaras que serviam quer para ampliar o som da voz, quer para tornar mais visível à distância, a expressão do personagem. Um aspecto curioso é que, em cada peça, só existiam três atores, todos do sexo masculino. Cada um deles tinha que desempenhar vários papéis, incluindo os das personagens femininas. A representação dos atores, que atuavam na cena, era acompanhada pelos comentários do coro, que se movimentava na orquestra, juntamente com os músicos.

Havia dois gêneros de representações: a tragédia e comédia. As tragédias eram peças ou representações que pretendiam levar os espectadores a refletirem nos valores e no sentido da existência humana. As comédias eram, por sua vez, peças de crítica social que retratavam figuras e acontecimentos da sociedade da época, ridicularizando defeitos e limitações da atuação dos homens.